Repercussão surpreende
o presidente da Fifa
France Presse
O presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter (foto), não se mostrou preocupado nem otimista em relação ao projeto de organizar uma Copa do Mundo a cada dois anos a partir de 2008 - idéia que recebeu a aprovação, ontem, do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Em entrevista concedida à AFP ontem, Blatter anunciou, com serenidade, que seu projeto é sério; mas, para concretizá-lo, é indispensável, também, prever uma harmonização do calendário internacional.
AFP - Foi voluntária sua declaração de 1º de janeiro?
Blatter - Sim. Foi espontânea. No entanto, jamais pensei que teria tanta repercussão. Não nos damos conta da importância do futebol. É tão popular! Não é simplesmente uma idéia despropositada. É uma boa idéia. Agora, é preciso ver se é realizável. Será racional e lógica a partir do momento que consigamos uma harmonização do calendário internacional. Isto começará dia 15 de janeiro na sede da Fifa, em Zurique. Nesse dia haverá uma convocação dos secretários gerais das diferentes confederações. Antes, quando eu era secretário geral da Fifa, não contava com apoio suficiente para levá-la a cabo. Hoje, sim. É uma questão de responsabilidade no mundo do futebol.
AFP - Quando teremos uma resposta definitiva em relação a este projeto?
Blatter - É evidente que no dia 15 a Fifa não terá respostas definitivas. Uma coisa deve ficar clara: não haverá a mínima mudança antes de 2004. As agendas de algumas confederações já estão completas até o ano 2004. Então, até lá, não mudaremos o calendário. O novo será aplicado a partir de 2005 e, como durante o intervalo conheceremos o nome do país organizador do Mundial de 2006, a periodicidade não poderá começar antes de 2008. De todas as formas, poderemos ‘checar os ânimos’ em relação ao projeto durante o congresso extraordinário que será realizado em Los Angeles dia 9 de julho próximo e durante o congresso ordinário do ano 2000.
AFP - Que pensa sobre a idéia seu predecessor, o brasileiro João Havelange?
Blatter - A resposta é difícil, uma vez que Havelange pertence a outra escola.
AFP - E sobre a questão dos árbitros?
Blatter - Bem lembrado, não me canso de dizer: os árbitros devem ser profissionais nas ligas profissionais. Um árbitro sozinho não pode controlar e seguir todas as peripécias de uma partida. Quero que os assistentes tenham mais poder e responsabilidade. Este assunto já está sendo discutido. O que está claro é que o árbitro central não pode estar em dois locais ao mesmo tempo.

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