Renzo Agresta, esperança brasileira na esgrima
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sábado, 12 de julho de 2008
Agência Estado 
São Paulo - Renzo Agresta vive há dois anos em Roma, onde fixou residência para estar mais próximo da esgrima. E das etapas da Copa do Mundo, já que a maioria delas é na Europa. ''As competições mais importantes são lá'', explicou atleta o brasileiro.
Como seu pai é italiano, Renzo tem dupla cidadania, o que facilitou sua escolha por viver num centro mundial da esgrima. Em Roma, morando sozinho, longe da mãe, Denise, aprendeu a lavar, passar e cozinhar, concluiu o curso de administração de empresas na John Cabot University, de língua inglesa, mas, principalmente, aperfeiçoou sua técnica na esgrima. O que, espera, seja muito útil nos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, nas competições de sabre.
''Melhorei muito. É um esporte de combate, é bom jogar com uma pessoa experiente. Há uma diferença grande entre competições no Brasil e na Europa. Roma é um dos centros da esgrima e a Itália, um país com tradição no esporte, além de França, Rússia e Hungria'', contou Renzo, ciente de que, no Brasil, pouco se sabe sobre o esporte. ''E também a China, ainda mais que a Olimpíada será em Pequim.''
Esgrima não se luta, se joga, ensina Renzo. São três as armas da esgrima: o florete, a espada e o sabre. Diferem no formato da lâmina e também nas zonas do corpo onde um toque é válido.
Renzo tem orgulho de dizer que foi o primeiro esgrimista brasileiro a conseguir uma vaga olímpica pelo ranking mundial da modalidade (com a 42 posição), que mede a regularidade dos atletas nas várias competições do ano. ''Até Atenas, em 2004, sempre se conseguiu vaga através de seletivas das Américas'', lembrou esse paulistano de 23 anos, 1,80 m e 77 quilos, um especialista no sabre, arma com a qual se pode tocar qualquer parte do corpo do adversário.
A medalha de bronze ganha nos Jogos Pan-Americanos no Rio, em 2007, está no currículo do atleta. No mesmo ano, ele foi campeão italiano sub-23 pelo clube Ischerma Roma, onde treina com o técnico Alessandro Di Agostino. No Brasil, é orientado por Regis Trois. Quando começou a praticar esportes era um menino, que ''rodava por todas as modalidades''. ''O Régis me convidou para brincar na esgrima e o esporte me cativou, porque une o físico e o mental'', revelou.
Renzo tinha 12 anos quando conheceu a esgrima. E quer continuar por muito tempo. ''Tenho 22 anos e o ápice se atinge aos 26 e até os 30'', explicou. Como ele não tem patrocínio individual, foram os pais que ajudaram no seu aperfeiçoamento esportivo. ''Hoje tenho apoio da família, do Pinheiros e da Confederação de Esgrima'', comentou, evitando críticas à entidade - seu presidente, Arthur Cramer, é alvo constante de ataques por parte dos atletas. ''Acho que crescer como atleta depende mesmo mais da vontade do que da confederação.''
Mas Renzo admite que o ''esporte amador'' no Brasil ainda é ''movido a paixão''. Observa que, atualmente, tem o pagamento do técnico e de suas viagens para competições. Também tem a bolsa-atleta do governo federal. ''Não me importo muito se sou profissional ou amador'', disse. Mas lembra que os primeiros do ranking mundial são profissionais, vivem do esporte, tem salários e premiação por resultados e medalhas, clubes e patrocínio.
Renzo vai disputar sua primeira Olimpíada, mas observa que tem mais vontade do que ansiedade pela estréia. ''O meu sonho é a medalha olímpica. Já ganhei de um medalhista de Sydney (2000) e de Atenas (2004). Mas a Olimpíada reúne um grupo muito seleto e não sei ainda o quanto posso subir. Acho que hoje pensar em chegar à terceira ou à quarta rodada seria algo real. Mas não quero me impor limites. Os melhores do mundo é que têm a pressão e a obrigação de ganhar de mim'', avisou o brasileiro.


