'Renegados' dão a volta por cima no Coxa
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
Fábio Galão <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O já histórico Coritiba de 2011, campeão estadual invicto, recordista nacional de vitórias consecutivas e finalista da Copa do Brasil, tem na sua espinha dorsal quatro jogadores que têm algo em comum: foram desprezados e receberam poucas oportunidades em grandes clubes do eixo Rio-São Paulo. E agora estão dando a resposta no Coritiba, onde vivem as melhores fases das suas carreiras.
Esses ''renegados'' que deram a volta por cima são o volante Léo Gago, os meias Rafinha e Davi e o atacante Bill. Davi, que iniciou a carreira no Paulista de Jundiaí, teve em seguida uma rápida passagem pelo São Paulo. Recebeu poucas chances no Morumbi e passou depois por vários clubes até chegar ao Avaí, onde chamou a atenção do Coritiba. Hoje, é o maestro do time do Alto da Glória.
Bill, que chegou em 2009 ao Corinthians, vindo do Bragantino, foi outro que não vingou em um grande paulista. Veio para o Coritiba no ano passado, e mesmo no futebol paranaense enfrentou desconfiança: más atuações e um longo período afastado por lesão ameaçaram sua permanência no clube. Entretanto, no último Campeonato Paranaense, Bill se aproveitou da ausência de Leonardo, lesionado, e desembestou a fazer gols. Hoje, é titular inquestionável.
Desses quatro ''renegados'', o caso mais simbólico talvez seja o de Léo Gago. O volante deixou o Vasco no ano passado, após perder espaço com a chegada do técnico PC Gusmão. No Coritiba, desde a Série B de 2010, o futebol que tem apresentado despertou na galera coxa-branca pedidos de convocação para a Seleção Brasileira. E agora, por ironia, Léo Gago vai disputar a final da Copa do Brasil justamente contra o Vasco.
''É uma situação especial, mas não tenho nenhum remorso do Vasco, porque não foi nada com a diretoria, a presidência, a torcida. Foi uma opção do PC Gusmão. São coisas do futebol'', aponta o volante.
O meia Rafinha, a exemplo de Davi, já foi atleta do São Paulo. Mas foi pouco aproveitado por lá e acabou emprestado várias vezes para outros clubes. ''No São Paulo, assinei um contrato longo, de cinco anos, e nunca tive uma oportunidade, uma sequência de jogos. No Coritiba, assim que cheguei, tive todo o respaldo da diretoria, do técnico da época, que era o Ney Franco. É tudo uma questão de oportunidade de ter uma sequência de jogos e mostrar trabalho'', desabafa o meia.
Apesar das experiências frustrantes, o discurso oficial é de que a classificação para a final da Copa do Brasil não é um cala-boca para quem duvidou do potencial desses jogadores. ''A gente não tem que dar resposta para ninguém. O futebol hoje está muito dinâmico e muitas vezes jogadores de qualidade não se saem bem. O importante é conseguir os resultados para tentar sair com o título'', aponta Léo Gago. A Copa do Brasil começa a ser decidida amanhã, em São Januário. O jogo de volta será na semana que vem, no Couto Pereira.


