Renê tenta seguir os passos do pai
Rio - Filho de Telê, de quem foi assessor especial na seleção brasileira que disputou as Copas do Mundo de 1982 e de 86, Renê Santana sempre se emocionou ao falar da relação entre o pai e o São Paulo. Lá (no clube paulista) ele conquistou dois títulos mundiais, entre outras coisas. O São Paulo me cravou uma flecha no coração. O carinho que a torcida tem com o meu pai me sensibiliza muito. A relação entre ambos é incomparável, muito bonita, disse ele, em recente entrevista à Agência Estado.
Há dez anos, Renê viu Telê, vítima de isquemia cerebral, abrir mão da rotina do futebol para cuidar de sua saúde. Apesar do tempo e da distância, os são-paulinos nunca o esqueceram. Na final da Copa Libertadores de 2005, contra o Atlético-PR, no Morumbi, os torcedores ergueram um pôster com a imagem do meu pai e gritaram seu nome, contou o filho. Acho impossível isso voltar a acontecer com qualquer outro profissional do futebol. Nunca mais vai haver uma aclamação popular desse tipo.
Ao longo da carreira, Telê deu vários exemplos de apreço ao bom futebol. Em suas preleções, segundo Renê, coibia a violência e valorizava a formação ofensiva. Ninguém está aqui porque comete faltas e, sim, porque sabe tratar a bola, dizia o mestre no vestiário.
Renê é testemunha da vitoriosa carreira do pai e se orgulha disso. Ele é meu ídolo, minha referência. Tento esconder isso, mas não dá. Telê é a minha bandeira no futebol. Aprendi muito com ele e tento colocar todos ensinamentos em prática. Há seis anos, Renê iniciou a carreira de treinador e, até o momento, não teve a oportunidade de mostrar seu talento num clube de tradição. Mas ele sonha alto: quer um dia comandar o São Paulo. É um desejo interno. No entanto, sei que os dirigentes ficam com medo de apostar em mim, por eu ser o filho do Telê. Sou Renê Santana, com um início promissor.
Sobre as dicas do pai, ele não se esquece de uma: Filho, o futebol é fácil, a gente que complica.
Telê será enterrado hoje, às 11 horas, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte. (Bruno Lousada/A.E.)





