René Simões quer repetir na Costa Rica o mesmo que fez com seleção da Jamaica
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Bruno Lousada<BR> Agência Estado 
Rio - No escritório de sua casa, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio de Janeiro), o técnico René Simões juntou todo o seu acervo e criou um ''museu''. Ali, sua história profissional está retratada em fotografias, medalhas, flâmulas e faixas de campeão. Um quadro, em especial, lhe traz inspiração e boas lembranças. Nele, os jogadores da seleção da Jamaica erguem René Simões como se ele fosse um troféu. A comemoração era pela inédita classificação da equipe para a Copa do Mundo de 1998, na França.
Agora, o treinador quer reviver essa emoção, desta vez pela Costa Rica, e preencher a sua ''sala de conquistas'' com mais uma recordação. Contratado em setembro, ele viu a vaga direta para o Mundial da África do Sul escorrer pelas mãos graças a um gol de empate sofrido nos segundos finais da partida contra os Estados Unidos, em Washington, em 14 de outubro, pelas Eliminatórias da Concacaf.
O empate por 2 a 2 jogou a Costa Rica na repescagem. Enfrentará o Uruguai em dois confrontos. O primeiro, em casa, dia 14 de novembro. Quatro dias depois, vai até Montevidéu. ''Será o jogo das nossas vidas'', disse René, suspenso pela Fifa por um jogo por causa da expulsão contra os norte-americanos. Ou seja, não estará no banco de reservas na primeira partida contra os uruguaios.
Agência Estado - A classificação direta para a Copa bateu na trave. A Costa Rica já se recuperou do baque?
René Simões - Foi muito difícil. Eu estava no vestiário (porque havia sido expulso) e meu assistente relatou que faltava um minuto para o jogo com os Estados Unidos acabar e a Costa Rica se classificar (vencia por 2 a 1). Pouco depois, vejo todo mundo chorando e lamentando o gol sofrido. Foi um desespero total. Eu tive de agarrar alguns jogadores pelo braço e juntar o grupo todo. Disse que eu largaria a seleção se eles não se levantassem naquela hora. No dia seguinte, os jogadores se reuniram, me chamaram e garantiram estar prontos.
AE - O Uruguai é favorito?
René Simões - Sei que na Costa Rica não vão gostar da minha opinião. Se fosse o Brasil contra o Uruguai, você apostaria em quem? Brasil. Agora, Uruguai versus Costa Rica, apostaria em quem? Uruguai. Só que tem um detalhe: em casa, vamos atuar num campo de grama sintética, experiência que eles nunca tiveram. Isso iguala o confronto.
AE - O que esperar desses dois confrontos decisivos?
René Simões - É mais do que um jogo de futebol. Define outras coisas importantes para o país. A Copa do Mundo atrai visibilidade e faturamento com publicidade para qualquer nação. Uruguai e Costa Rica vão jogar a vida.
AE - Já começou a estudar o time do Uruguai?
René Simões - Sim. Peguei muitas informações sobre eles. Conversei até com o Jorginho (auxiliar do técnico Dunga). Estive no Uruguai, durante a semana, para ver acomodação e campo de treinamento. Sugeriram colocar a seleção da Costa Rica num lugar mais distante, mas não quero tirá-la da guerra. Vamos ficar em Bagdá mesmo. Deixa a bomba cair ali mesmo.
AE - Vocês vão tomar alguma precaução em Montevidéu?
René Simões - Falei da necessidade de contratar seguranças uruguaios. Porque, no instante em que o bicho pegar, eles sabem para onde vão poder correr. Temos de ter preocupação com tudo, com alimentação, campo de treinamento e reservar dois andares num hotel só para a delegação. Ali, não entra mais ninguém. Nem de agasalho, nem de saia, nem de cabelo curto ou comprido. Tem de ver também a comida e água que o time vai ingerir. Nunca se sabe o que pode acontecer numa hora dessas.
AE - A sua vinda ao Brasil gerou muitas críticas?
René Simões - Reclamaram lá. Avisei que viria ao Brasil (por uma semana) para recarregar a bateria. Disseram que eu vim para cá passear. Mas não é nada disso. Queria apenas ficar com a minha família.


