Renata: 'Se abrir a boca, derrubo ele'
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sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
A empresária Renata Carla Moura Alves decidiu se isolar depois da série de denúncias feitas contra o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo. Disfarçada, ela abandonou ontem à tarde o apartamento em que estava hospedada. Por volta das 16 horas, Renata saiu do prédio no banco de trás de um carro com peruca e óculos escuros. Quero tranquilidade. Estou apavorada e cansada nos últimos dias, disse Renata, por telefone, antes de deixar o prédio, na zona sul do Rio.
Nos últimos dias, a família de Renata sofreu três ameaças de morte, segundo o pai da empresária, o advogado Roberto Carlos Alves. Ela não tem mais nada para falar. A minha cliente só vai dar declarações na Justiça ou na Polícia, disse o advogado André Luiz Anet. De acordo com o advogado, Renata deverá se apresentar nos próximos dias na Polícia Federal para prestar depoimento. Na ocasião, ela vai confirmar as denúncias contra o treinador.
Renata e Luxemburgo estão sendo investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal por suspeita de sonegação fiscal. O inquérito na PF foi aberto em 1997, quando agentes desconfiaram da série de bens comprados por Renata nos últimos anos. A empresária teria adquirido carros e imóveis a pedido do treinador em leilões públicos. Renata é licitante judicial.
Funcionários da Polícia Federal disseram ontem que um novo processo contra Luxemburgo poderá ser aberto se houver novidades no depoimento. Na quarta-feira, ela disse que o treinador ganhava comissão na compra e venda de jogadores no período em que trabalhou com o treinador, o que não foi contado por Renata nos seus depoimentos anteriores. Na próxima semana, o Ministério Público Federal deverá apresentar denuncia ou não contra o treinador no caso de sonegação fiscal.
Pela manhã, Renata disse que vai confirmar todas as suas acusações na Justiça. Tenho muita coisa para falar sobre o Luxemburgo. Se abrir a boca, posso derrubar ele no dia seguinte, ameaçou a empresária, que ainda não apresentou nenhum documento que complique a situação do treinador. Se a Justiça fizer uma comparação entre as nossas movimentações bancárias, eles podem chegar a várias conclusões, disse.
Luxemburgo já foi condenado em um processo na Justiça do Trabalho do Rio por uma ação movida por Renata. Ela pediu todos os direitos trabalhistas a que tinha direito no período em que diz ter atuado em leilões para Luxemburgo. A indenização deve chegar a R$ 1,5 milhão. O treinador já recorreu da decisão.
Teixeira some Já virou rotina. Toda a vez que estoura algum problema, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está fora do País. Agora ele está na Guatemala, para um congresso de futsal. Fiel ao estilo, só este ano o dirigente já se esquivou de outras duas confusões. No final de junho, a Fifa suspendeu o Gama de qualquer competição e jogou o futebol brasileiro num impasse. O Clube dos 13 assumiu e depois desistiu de organizar uma competição porque foi derrotado na Justiça pelo Gama. Com a posição oficial da CBF de não organizar nenhum campeonato, a situação ficou caótica e não se sabia se haveria futebol no segundo semestre. Enquanto tudo isso acontecia, Teixeira andava pelo exterior.


