A empresária Renata Carla Moura Alves, ex-secretária de Wanderley Luxemburgo, disse ontem que a decisão do técnico da Seleção Brasileira de só levar para as Olimpíadas jogadores com menos de 23 anos foi proposital para barrar a ida de Romário a Sydney. ‘‘Ele tem asco do Romário’’, contou, em entrevista por telefone. ‘‘Ele sempre dizia que se um dia fosse técnico da seleção o Romário ia ver com ele, ia pagar.’’
Renata contou que a rixa entre Wanderley e Romário piorou bastante a partir de 1995, quando os dois eram do Flamengo. Naquela época, como técnico do time, Wanderley não admitia que o jogador recebesse tratamento especial e os dois acabaram se desentendendo – o episódio culminou no afastamento do técnico. Segundo Renata, Wanderley ficou muito irritado com o episódio. ‘‘Wanderley tinha o Flamengo como vitrine’’, disse. ‘‘Sempre foi interesse dele pular dali para o São Paulo e para outros times grandes e, daí para frente, fazer qualquer coisa, a qualquer preço, para chegar aonde chegou’’, disse.
Renata contou que tem provas de que Wanderley Luxemburgo intermediava a compra de jogadores e que vai apresentá-las em momento oportuno. Seu advogado, André Luiz Anette, informou que as provas serão apresentadas somente à Polícia Federal. A ex-secretária adiantou, no entanto, que já enviou à Receita Federal algumas provas das transações realizadas nas suas contas bancárias e nas do técnico. ‘‘As provas mostram o volume de dinheiro que entrava na minha conta, e vão ter que quebrar o sigilo bancário dele para explicar de onde vieram aqueles depósitos.’’
Enfraquecido por causa dos problemas extra-campo, Luxemburgo preferiu não repreender o atacante Romário, que, na sexta-feira, atacou o treinador. Ao contrário de outras oportunidades, em que não aceitava o questionamento de sua autoridade, o treinador ignorou as declarações do atacante, que, em referência a Luxemburgo, disse que ‘‘o que é ruim se destrói sozinho’’. Cauteloso, Romário evitou entrar em polêmica, mas reafirmou que gostaria de ter ido à Olimpíada.
‘‘Nossa relação vai ser profissional’’, afirmou Luxemburgo, que garantiu que não terá nenhuma conversa em separado com o atacante porque ‘‘não há necessidade’’. Romário também apelou para o discurso do profissionalismo para explicar como vai tratar o treinador. ‘‘Sempre foi assim e, agora, não vai ser diferente.’’ Luxemburgo chegou a ficar impaciente com as perguntas sobre o atacante.
Embora os dois lados evitassem o confronto, o clima era de uma polidez fria. Ao comentar o relacionamento, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, repetiu a informação de que é preciso ‘‘profissionalismo’’.
Sem modéstia, o atacante assumiu a responsabilidade por uma boa atuação da seleção. ‘‘Sempre fui chamado em situações como essa, tomara que eu marque muitos gols’’, disse.
Ontem, o atacante não participou dos treinos por causa de dores nas costas, que já o tinham retirado do jogo do Vasco contra a Portuguesa. ‘‘Melhorei, não estou 100%, mas devo treinar amanhã (hoje).’’

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