Uma casinha humilde, de fundos, localizada no Jardim Novo Horizonte, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), abriga um campeão sul-americano de atletismo: Renan Marcos Bispo, que venceu os 1.500m no campeonato continental disputado em Lima, no Peru, no fim de novembro. Renan é um garoto como tantos outros de 17 anos da cidade que poderia ter tomado rumos tortuosos na vida, dada a influência dos colegas do bairro, mas foi resgatado pelo esporte.
Poderia também não ter se desenvolvido em razão de uma alimentação deficiente na infância, mas transpôs essas barreiras, amparado pelos pais e pelo diretor do Colégio Padre José Herions (onde estuda), que ia buscá-lo em casa para treinar. Seu futuro também ganhou um novo viés graças ao incentivo permanente do técnico de atletismo da cidade, Ivar Benazi, que nunca desistiu do garoto.
''Tive que insistir com ele, porque o Renan nunca gostou muito de treinar'', revela Benazi, de 54 anos, que é conhecido em Rolândia como 'Tucano'. ''Como todo garoto, ele queria era só competir. Mas se não treina forte durante a semana não tem como ganhar as provas'', raciocina o professor. Outra meta era resgatar a displina de Renan nos estudos. ''Ele começou comigo aos 14 anos e estava ainda na 6 série. Fui firme com ele, dizendo que se não estudasse não continuaria como atleta. Hoje já terminou o 1º colegial'', elogia.
A mãe de Renan, Elisa Aparecida dos Santos, 35 anos, que trabalha numa indústria de doces, recorda que no começo os colegas ''tiravam sarro'' do garoto, por causa do short curto que os corredores costumam usar. ''Diziam que ele era besta de ficar correndo o dia todo, pra baixo e pra cima, sem receber nada. Mas hoje eles mudaram de idéia e outros três também estão indo treinar'', conta Dona Elisa. Seu pai, Antônio Bispo, 36, acrescenta que com o esporte, ''os caminhos errados que aparecem na vida do adolescente ficaram pra trás''. ''A gente vê um futuro muito bom para ele. Vai estudar e se destacar como atleta'', aposta.
Tucano, que é técnico em Rolândia há mais de 30 anos, garante que Renan é um dos grandes talaentos que passou pelas suas mãos. ''É um atleta que não afina para ninguém na prova dele. O Renan era o 4º do ranking sul-americano e o 2º do Brasil, mas eu disse firme para ele antes de embarcar: 'Você vai lá para ganhar'. E ele voltou do Peru com o ouro no peito'', orgulhou-se o treinador.

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