REMANESCENTES DE 97 EM BUSCA DO BI
Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
Entre os 22 jogadores que foram convocados pelo técnico Wanderley Luxemburgo para a disputa da Copa América do Paraguai, cinco deles têm razões maiores para buscar o título: os laterais Cafu e Roberto Carlos, os meias Flávio Conceição e Zé Roberto e o atacante Ronaldo podem ser bicampeões.
Eles estavam presentes na conquista do título na Bolívia, em 1997, jogando contra a altitude e contra um tabu. Até então, a Seleção Brasileira não havia conquistado a Copa América jogando fora do Brasil. Se vencer hoje, será o segundo título na casa do adversário - e consecutivo.
Alguns jogadores entre esses cinco têm ainda mais razões para estar de olho no título. O primeiro deles é Ronaldo. O fenômeno, como dizem os italianos, luta para ser o artilheiro da competição, feito que ele ainda não conseguiu.
Na Copa da Bolívia, Ronaldo ficou em segundo lugar na artilharia. Fez cinco gols, perdendo para o mexicano Luis Hernández, que marcou sete. Mas Ronaldo tem outras boas recordações, além do título, de 97. No jogo final, contra a própria Bolívia, em que o Brasil venceu por 3 a 1, o segundo gol brasileiro foi marcado por ele, aos 24 minutos do segundo tempo. Além disso, foi considerado o melhor jogador da competição.
Outro jogador que estará em campo hoje também fez gol na partida final com a Bolívia. É o meio-campista Zé Roberto, que na época era um coringa da Seleção: jogava de lateral ou no meio-de-campo, como segundo volante.
No jogo final de 97, ele estava no banco de reservas e só entrou na metade do segundo tempo. Substituiu outro jogador que hoje tenta o bicampeonato: Flávio Conceição. Entrou e deu sorte - foi dele o terceiro gol, aos 45 minutos, quando o time todo já sofria, nas pernas, com o castigo da elevada altitude de La Paz.
Desde aquela época a vida de Zé Roberto vem mudando, e para melhor. Hoje, ele não é mais um coringa na Seleção e disputa posição no meio-de-campo. Aliás, disputou e ganhou a posição de Leonardo - que abandonou a camisa amarela já na concentração, em Foz do Iguaçu - e de Alex, que iniciou a competição como titular.
O meia vem participando decisivamente dos jogos, mostrando um bom entrosamento com Roberto Carlos e Rivaldo; sofrendo pênalti; fazendo lançamentos e passes que resultam em gols. Ele mesmo explica a razão do crescimento do seu futebol.
- Quando era coringa, não conseguia me firmar como titular em nenhuma das posições. Agora, com posição definida, está me facilitando mais.
Além disso, ele tira vantagem do entrosamento com Roberto Carlos, com quem já jogou no Real Madrid, em 97, e na forma de a Seleção jogar, parecida com o trabalho que faz no seu atual time, o Bayern Leverkusen, da Alemanha.
- Na partida que fiz contra o México, atuei quase exatamente como faço no Bayern. Por isso, consegui espaços e fiz penetrações pelas pontas.
Zé Roberto foi considerado o segundo melhor estrangeiro atuando na temporada passada na Liga Alemã de Futebol. O primeiro foi o atacante paranaense Élber. Os alemães gostam da maneira como jogo, da facilidade que tenho para o drible e a rapidez na condução da bola.
Outro jogador que tem motivo especial para estar com grande expectativa é o capitão Cafu. Além de brigar pelo bicampeonato, se o Brasil vencer o Uruguai, será ele quem levantará a taça. Mas, para isso, alerta que o time deverá, desde o início, intimidar o adversário.
- Para intimidar não é preciso usar a violência, mas correr mais que os adversários e ganhar todas as bolas divididas.
Os adversários são tidos como jovens e inexperientes, mas Cafu avisa que isso pode ser uma motivação a mais para eles. O lateral lembra que quando tinha 20 anos já era titular do São Paulo e foi por duas vezes seguidas campeão mundial de clubes, enfrentando adversários - Barcelona e Milan - considerados favoritos.
- Esse é o jogo para mim e para minha carreira, eu pensava. Acredito que os uruguaios devem estar pensando assim também.
A DECISÃO DE 97
Bolívia 1
Trucco; Peña, Castillo, Oscar Sánchez, Oscar e Sandy; Cristaldo, Baldivieso, Soria e Erwin Sánchez; Etcheverry e Moreno (Coimbra). Técnico: Antonio López
Brasil 3
Taffarel; Cafu, Gonçalves, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, Flávio Conceição (Zé Roberto), Denílson e Leonardo (Mauro Silva); Ronaldo e Edmundo (Paulo Nunes).
Técnico: Mário Jorge Lobo Zagallo
Árbitro: Nieves Jorge (Uruguai)
Renda e público: não divulgados
Local: La Paz
Data: 29.06.97
Gols: Edmundo aos 40 e Erwin Sánchez aos 45 do 1º; Ronaldo aos 34 e Zé Roberto aos 45 do 2º





