Após apenas 21 dias de trabalho, a Câmara Municipal de Londrina aprovou ontem o relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou irregularidades no repasse de verbas da Prefeitura para o esporte amador.
O documento será entregue ao Ministério Público na próxima semana, juntamente com a microfilmagem dos cheques, que não puderam ser incluídos no relatório por prazo legal.
Segundo o texto do relatório da CEI, presidida pelo vereador Salvador Francisco (PSB), o prefeito Jorge Scaff (PSB), então presidente do Grêmio Literário e Recreativo, mentiu no depoimento feito para a comissão, quando afirmou que nunca foram solicitadas as prestações de contas dos repasses feitas pela Prefeitura ao clube, usado em 1998 e no ano passado como uma central que distribuía os recursos para outras instituições. Auditorias internas comprovaram que o então presidente do Grêmio foi oficiado para prestar contas do destino dos recursos.
Paulo Vicente Viana, assessor especial de esportes da prefeitura ᖠórgão que substituiu temporariamente a extinta Autarquia Municipal do Esporte e Turismo (Ametur), substituída atualmente pela Fundação Municipal de Esportes – também teve sua situação complicada com o teor do relatório. Comprovadamente, ele depositou em sua conta bancária três cheques no valor total de R$ 101.321,66. Nenhum desses valores têm prestações de contas aprovadas.
Viana, que já depôs sobre o caso no Ministério Público, de acordo com o relatório, também mentiu quando disse nunca ter sido orientado sobre os procedimentos a adotar em relação às taxas pagas pelo aluguel e a receita com as licenças para ambulantes e cantinas. Segundo o relatório, há fortes indícios de que estes recursos não teriam sido repassados aos cofres municipais.
A conclusão do documento também aponta que houve negligência das secretarias municipais da Fazenda e de Governo, que não acataram as orientações dos auditores internos da prefeitura para que novos repasses não fossem efetivas. A CEI pede que os responsáveis sejam enquadrados na lei de improbidade administrativa.
A CEI também considerou que o ‘‘encontro de contas’’ feito entre a prefeitura e o Hotel do Lago no valor total de R$ 56.562,12 foi irregular. A empresa Padovani teria sido beneficiada com 100% da quitação dos seus débitos com a prefeitura e não comprovou o repasse de R$ 39.381,75 que deveria ter efetuado ao Grêmio.

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