Brasília - Em votação relâmpago e com apenas quatro parlamentares em plenário, a comissão mista criada no Congresso para discutir a Medida Provisória (MP) do governo que estabelece regras de responsabilidade fiscal e de refinanciamento da dívida dos clubes de futebol aprovou ontem o relatório redigido pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ).
O presidente da comissão, Sérgio Petecão (PSD-AC), havia marcado a sessão para as 9 horas e deu apenas 15 minutos de tolerância. Estavam presentes, além de Petecão e Leite, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e o deputado Evandro Roman (PSD-PR). Como a sessão da manhã era apenas a continuação de sessões anteriores, o regimento do Legislativo permite considerar o quórum de antes, por isso a proposta pôde ser votada.
Como os autores dos 11 destaques, a maioria favorável aos clubes e à CBF, não estavam presentes, as emendas não foram apreciadas.
Os destaques, que incluem supressão de contrapartidas, alteração do critério de escolha de presidentes de federação, e exclui o dispositivo que confere à seleção brasileira o status de patrimônio cultural brasileiro, o que garante mais transparência, ainda podem ser apresentados em plenário.
O texto de Leite vai ao plenário da Câmara e, em seguida, ao do Senado. Ele precisa passar pelo crivo das duas Casas até 17 de julho, data em que perde a validade.

‘BANCADA DA BOLA’
Deputados da chamada "bancada da bola" que chegaram atrasados à sessão ficaram revoltados com a manobra e disseram que o texto terá dificuldades para ser aprovado em plenário. Ex-presidente do Corinthians, o deputado Andrés Sanchez (PT-SP) se disse decepcionado.
"Estava tudo acordado para ser aprovado. Podiam ter esperado um pouco mais. Mas, como cheguei atrasado, não posso reclamar muito. Infelizmente, agora, o pessoal da bola que trabalha na Câmara vai trabalhar contra muita coisa que estava acordada e isso é ruim para o futebol. Ficou mais difícil para aprovar lá (plenário)", afirmou o cartola.
Sérgio Petecão disse ter seguido o regimento. "Quem assumiu compromisso para vir defender interesse teria que pelo menos estar nos horários regimentais", declarou.
Apesar de o texto não ser tão severo com clubes e entidades, representantes do governo e do Bom Senso FC saíram satisfeitos com a aprovação da medida. "Não dá para chamar o processo de relâmpago. Já são mais de 90 dias de tramitação e só agora a gente saiu da primeira fase. Ainda precisamos passar pelas duas Casas para que a MP não caduque. Temos 20 dias para isso. O que tivemos foi uma sessão rápida em função da ausência de alguns deputados. Foi positiva e necessária (a aprovação)", disse Ricardo Borges, diretor-técnico do Bom Senso FC.
O governo pretende agora discutir o texto internamente para identificar pontos que avalie precisar de alteração através de destaques. A principal preocupação vem do Ministério da Fazenda, que teme abrir precedentes para que outros setores, como entidades filantrópicas, também pleiteiem um programa de refinanciamento.

mockup