Relator diz que Zagallo foi irresponsável
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
O relator da CPI da Nike, deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), está convencido de que o jogador Ronaldinho não foi informado de que tivera convulsão horas antes da final da Copa de 98. Ficou claro que ninguém o avisou. A ponto de ele se auto-escalar para a final, comentou Torres após os depoimentos do presidente do Clube dos 13, Fabio Koff, e do ex-supervisor da seleção brasileira, Américo Farias.
Koff contou que, em uma reunião, a comissão técnica decidiu minimizar a convulsão para não aumentar o clima de tensão entre os jogadores. E, que após essa reunião, o atleta foi levado para uma clínica fazer exames. Mas nem Koff, nem Farias souberam informar o nome da clínica. Farias disse que a escalação de Ronaldinho foi decidida por Zagallo, ao ouvir do jogador, na volta dos exames, a garantia de que estava bem. O técnico demonstrou total irresponsabilidade com o cidadão Ronaldinho, acusou Torres.
Após a longa sessão de depoimentos de ontem, o relator também concluiu que o contrato assinado entre a CBF e a empresa Nike foi desfavorável para a confederação brasileira, baseado em informações de Koff que assinou um contrato com a Rede Globo de duração de oito anos.
Pelo direito de transmissão exclusiva dos jogos, a emissora pagará US$ 560 milhões. O da Nike e CBF chega a US$ 400 milhões em dez anos, somando parte em dinheiro e outra em material esportivo.
Farias e Koff também deixaram dúvidas nos deputados sobre um documento em inglês que assinaram para justificar a decisão de última hora de escalar Ronaldinho. Koff disse que não sabe ler inglês, mesmo assim, concordou com os termos do documento para evitar eventual futuro recurso da seleção francesa, que não gostou de saber da escalação de Ronaldinho, no lugar de Edmundo, poucos minutos antes do jogo. O documento narra que Ronaldinho havia ido ao hospital para fazer testes no tornozelo esquerdo, e não treinava há dois dias, mas agora estava liberado pelos médicos.


