Para muitos, arte. Para outros, ciência. E para muitos outros ainda, esporte. Um dos jogos mais antigos do mundo, o xadrez foi durante muito tempo taxado de esporte de elite, mas a fama ficou no passado. Hoje, atrai pessoas de todas as classes sociais e possui milhões de adeptos no mundo todo. É o jogo no qual sorte e azar não interferem em nada. O que vale mesmo é escolher a estratégia certa no momento certo.
É exatamente isso que tem feito a diferença a favor da equipe de Londrina. Formado em 2006 com o objetivo de revelar novos enxadristas no Brasil, o time foi muito além e hoje possui alguns dos melhores atletas do país na modalidade. ''A nossa equipe visa as categorias de base e está repleta de talentos'', conta o técnico Tiago de Almeida.
No Paraná, nos últimos anos, os enxadristas londrinenses ganharam praticamente tudo o que disputaram. A equipe foi campeã brasileira escolar em 2010 e do Campeonato Mercosul no ano passado. E na fase regional do Jogos da Juventude (Jojup's), disputada recentemente, em Jandaia do Sul (Norte), o 'xeque-mate' foi geral, com 12 medalhas de ouro e duas de prata conquistadas.
Aos 14 anos, Victor Hugo Salmaso Trelha já é um dos principais jogadores da equipe. Está entre os melhores do Brasil na categoria Sub-14 e, no ano passado, foi ao seu primeiro Mundial, junto com o colega Gabriel Akira. A dupla e outros três enxadristas da equipe, Lucas Tacconi Silva, João Gustavo Veríssimo e Gabriel Yudi, já têm seus nomes no ranking mundial.
Para Almeida, os jogadores estão muito próximos do nível de um profissional. ''Os vejo profissionalmente bem sucedidos. São pensadores, trabalham em prol do desenvolvimento intelectual e pessoal e isso faz diferença'', elogia o treinador, que também é árbitro da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX), função que o levou ao Mundial de 2011.
Apaixonado pelo xadrez, Victor não esconde o sonho de tornar-se um jogador profissional, assim como seu grande ídolo, o atual tricampeão mundial, o indiano Viswanathan Anand. ''É um sonho, mas no Brasil é muito difícil. Aqui, o esporte é muito pouco valorizado'', diz o garoto, que chega a treinar de três a quatro horas todos os dias.
Outro destaque da equipe, Juliana Harumi conheceu o xadrez por acaso. ''Fui convidada por um amigo porque faltavam meninas para o time. Comecei há um ano e não parei mais. É muito bom, principalmente quando você ganha'', brinca a jovem de 14 anos. Empolgada com os resultados, a campeã nas modalidades relâmpago, rápido e convencional da regional dos Jojup's, também já pensa na possibilidade de ser profissional. ''Eu gostaria, seria muito legal ser reconhecida por uma atividade que eu gosto''.

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