Belo Horizonte, 12 (AE) - O ex-atacante Reinaldo, do Atlético-MG e da seleção brasileira, hoje com 43 anos, acredita na recuperação de Ronaldinho, apesar da gravidade da contusão. Mas adverte que ela deve depender muito mais do apoio de familiares, amigos, torcedores e da imprensa que propriamente de médicos e fisioterapeutas. "Numa situação dessas, o abalo psicológico do atleta pode ser mais importante que a lesão", disse Reinaldo, afastado dos campos, nos anos 80, após sucessivas contusões nos dois joelhos.
"A medicina, bastante avançada hoje em dia, vai recolá-lo em campo, mas se ele voltará a ser o Ronaldinho de antigamente dependerá do seu lado emocional", acrescentou. Reinaldo também lembrou que o atacante da Inter tem que ter muita paciência durante o período pós-operatório e cuidados para não forçar o joelho, nas sessões de fisioterapia. "Nesta fase, qualquer sobrecarga no local pode ser perigosa", afirmou.
Ao contrário de Ronaldinho, que dispõe de recursos modernos para a recuperação, Reinaldo lembra que, em sua época, os médicos pouco podiam fazer para curá-lo dos problemas nos meniscos. "Eu tinha um problema menos grave, nos meniscos, e não em tendão", ressaltou. "Mas, desde que comecei a jogar futebol, eles me tratavam com punções e infiltrações, técnicas que nem são mais utilizadas, e isso acabou comigo."
O ex-atleticano, atualmente cronista esportivo e organizador do "Belo Horizonte Futebol e Cultura", clube que em breve deve estrear profissionalmente, lembra que nos últimos dez anos de carreira só pode atuar em razão dos cuidados do médico atleticano Neylor Lasmar, que assumiu seu caso. "Se não fosse por ele, eu teria parado bem antes", disse. Lasmar, responsável por operações de joelho bem sucedidas em outros atletas famosos, como Zico, comentou também hoje, em Belo Horizonte, a contusão de Ronaldinho.
Para o médico, a situação "foi muito grave" do ponto de vista clínico.
"A ruptura do tendão patelar coloca o futuro de Ronaldo em jogo", disse. "Ele corre risco de ter sequelas", completou. O também ortopedista Ronaldo Nazaré, do Cruzeiro e que tratou de Ronaldinho nos dois anos em que ele atuou pelo clube, disse que o atacante pode ter sido vítima de algum erro do médico que o operou. "Não podemos colocar a culpa em ninguém, mas não há dúvidas que a primeira cirurgia foi um insucesso", afirmou.

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