Folha de São Paulo
De Viena
No dia 19 de novembro de 1969, após marcar seu milésimo gol, carregado no gramado do Maracanã, o número 10 do Santos pediu proteção às ‘‘criancinhas do Brasil’’. Um desabafo, para os fãs; uma pieguice, para os críticos. Exatos 30 anos, Pelé mudou o discurso. Ontem, em Viena, onde à noite participaria da eleição dos melhores atletas do século, ele declarou: ‘‘Infelizmente, no Brasil, as coisas poderiam estar melhor para as crianças. O desenvolvimento tecnológico foi muito rápido nesses 30 anos. Espero que, para os próximos 30 anos, o homem aprimore seu coração, o respeito, a igualdade, com a mesma velocidade com que aprimorou as máquinas’’, disse, pouco antes de deixar marcadas as mãos e os pés na ‘‘calçada da fama’’ de um shopping de Viena, enquanto nevava.

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