São Paulo - O homem que introduziu a retranca no futebol paulista reprova o esquema defensivo da seleção brasileira. O ex-zagueiro do Juventus Milton Buzetto está há dias tentando entender a opção do técnico Luiz Felipe Scolari, de armar o time brasileiro com três zagueiros ainda na primeira fase da Copa do Mundo, contra adversários de segunda linha. ‘‘Um time com a qualidade técnica da seleção brasileira não precisa disto’’, sentencia Buzetto, hoje um senhor de 64 anos, que fez fama na década de 1970 ao montar, no tradicional clube do bairro paulistano da Mooca, o maior ferrolho que o futebol paulista já viu.
‘‘A minha retranca era feroz, mas usava três atacantes, dois pelas pontas e um pelo meio’’, relembra ele. O rei da retranca paulista, que ainda hoje acompanha o futebol com especial atenção, recorda que Carlos Alberto Parreira, no Corinthians, com um elenco não tão qualificado quanto o da seleção, foi duas vezes campeão jogando no 4-3-3. ‘‘Não quero dizer que o Felipão está errado, mas não gosto do esquema do Brasil; se podemos ter mais um homem na frente, por que colocar na sobra?’’, questiona.
Para ele, o esquema imaginado por Luiz Felipe revela que, no século 21, o ferrolho só mudou de nome: ‘‘A retranca virou 3-5-2’’.

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