Há dirigentes no Brasil e no exterior que defendem a profissionalização dos árbitros, para que passem a receber salário mensal, tendo maior segurança financeira, e não recebam mais por jogo apitado. Dos quatro consultados pela Folha, dois são contrários à medida (Cleivaldo Bernardo e Afonso Vitor de Oliveira), um é indiferente (Evandro Roman) e outro é favorável (Héber Roberto Lopes).
  ‘‘Sou contra porque a carreira de árbitro é muito curta. E depois dos 45 anos é difícil iniciar uma nova profissão’’, justificou Afonso Vitor. Segundo ele, os defensores da profissionalização do apito julgam que o vínculo com as federações e a segurança financeira ‘‘tornariam o árbitro mais difícil de ser corrompido’’, o que aconteceu recentemente como Edilson Pereira de Carvalho, que foi banido do futebol. ‘‘Não concordo com isso. Para mim, seja profissional ou não, o cidadão que é honesto será assim de um jeito ou de outro’’, opinou o dirigente da arbitragem no Paraná.
  Bernardo discorda por causa da aposentadoria compulsória aos 45. ‘‘Você nota claramente a diferença de um árbitro de 30 e um de 45. Quando o cara está no auge da sua forma técnica e mais experiente ele é encostado. Aconteceu isso com o (Oscar Roberto) Godoy e com o Sidrack Marinho. Acho absurdo. Até o Collina (Pier Luigi, italiano) teve que parar após ser eleito o melhor árbitro do mundo’’, comentou.
  Roman disse que achava ‘‘ótima’’ a proposta de regulamentação da profissão, quando se cogitava um salário fixo de
R$ 7 mil a R$ 8 mil para árbitros da Série A, ‘‘o que daria uma tranqüilidade maior à categoria’’. ‘‘Porém, quando vi o exemplo da Federação Paulista, que já tem árbitros profissionalizados, não concordei porque a remuneração é baixa’’.
  Já Lopes é totalmente favorável, até porque deverá se tornar profissional a partir de janeiro de 2007, quando a Fifa quer efetivar o seu quadro de árbitros. O londrinense é o único do Paraná com o distintivo Fifa (são apenas 13 brasileiros na listagem). ‘‘O Joseph Blatter (presidente da entidade) disse durante a Copa da Alemanha que quer que os árbitros do quadro internacional se dediquem 24 horas por dia à atividade. Para isso vai estabelecer um vínculo com todos’’, informou.
  Lopes tem ainda 11 anos de apito (está com 34) e não vê problema em não poder exercer outra profissão. ‘‘A Fifa vai nos cobrar cada vez mais, em termos de desempenho e atualização, mas também nos dará estabilidade financeira. E raramente alguém sai do quadro por deficiência técnica. É só manter um índice bom de acerto’’, informou.
  O londrinense revelou que a Argentina já tem uma exeriência bem sucedida de profissionalização dos árbitros e que lá eles recebem em torno de US$ 2 mil por mês. A Alemanha estuda fazer o mesmo. (J.K.)

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