Regras rígidas deixaram esporte mais profissional
Mesmo com credibilidade garantida junto ao público que gosta de artes marciais, as lutas pela televisão ainda geram certa polêmica devido à violência que alguns combates proporcionam. César Martins observa que a profissionalização do esporte começou quando eventos como o americano UFC e o japonês Pride colocaram regras mais rígidas. ''Essa mudança foi gradativa e as regras agora conseguem preservar melhor a integridade dos atletas'', completa.
Ele se recorda que antigamente as discrepâncias no tamanho dos atletas e as regras proporcionavam combates mais violentos. Depois do Pride e do UFC, Martins observou que para conseguir fazer o negócio deslanchar em campanhas de marketing foi necessário ''tentar amenizar os combates''. ''Antigamente o árbitro esperava o lutador desmaiar, agora ele para a luta bem antes'', resume.
''Hoje, os acidentes que observo até como médico ocorrem mais nos treinos do que na própria luta profissional. Lógico que as pancadas geram contusões, mas não tão graves quanto as dos treinos'', ameniza.
Segundo o lutador Maurício Shogum, atualmente o MMA pode ser considerado a profissão de muitos professores e adeptos das artes marciais. Ele acredita que tal status só aconteceu em função do trabalho de marketing feito pelo UFC no mundo todo. ''Eu mesmo sou um exemplo. Por participar destes eventos me tornei uma pessoa conhecida por onde quer que passe'', exemplifica.
Ele é atleta vinculado à Universidade da Luta (UDL), de Curitiba, e recebe bolsa para treinar e lutar pela academia. Para Shogum, é fundamental que seja esclarecido no Brasil o que é o verdadeiro MMA. ''Mas aqui ainda é muito associado ao antigo vale tudo. Se a pessoa for leiga, não conhecer luta, e você disser que é do vale tudo pode ser discriminada. O nome é preconceituoso para quem não conhece, mas o esporte está no caminho certo e o Brasil é um celeiro de lutadores'', acredita.
Há sete anos atuando como profissional em outros países, ele observa que muitos já sabem que os lutadores são profissionais bem remunerados, como médicos, dentistas ou empresários. ''O problema é que ainda existe muita desinformação'', aponta. (R.O.).





