REGGAE BOYZ - De olho em 2010, Jamaica faz 'estágio' no Paraná
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segunda-feira, 10 de março de 2008
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dez anos depois de ter levado a modesta seleção da Jamaica à Copa do Mundo da França, o técnico brasileiro René Simões reassume o comando do time com a missão de repetir o feito. Para começar a dar forma ao atual time caribenho, que depois da ida ao Mundial obteve pouco sucesso internacional, o treinador não pensou duas vezes em trazer os Reggae Boyz ao Brasil para um período de treinamentos e uma série de amistosos, a maioria deles contra equipes paranaenses.
Na última sexta-feira, quando os jamaicanos realizaram seu primeiro treino em Ponta Grossa, Simões contou que encontrou o futebol do país bastante mudado. Em 1994, quando foi contratado pela primeira vez, todos os jogadores da seleção atuavam em clubes da própria Jamaica. Além disso, a maioria não vivia exclusivamente do futebol. ''Era um motorista de táxi, um carregador de malas, um barman ou secretários que trabalhavam em escritórios'', diz.
Hoje, o futebol jamaicano já exporta jogadores. ''Temos 36 atletas atuando fora'', declara o técnico. Alguns deles, inclusive, jogam em times da Primeira Divisão inglesa.
Apesar de considerar positivo o fato de ter jogadores com mais bagagem internacional, Simões já começa a sofrer com problemas que afetam as ''grandes'' seleções. ''Em 1994, pude montar a seleção e rodar. Fui a 28 países com eles. Hoje a dificuldade é que, tendo os jogadores fora, eles só chegam na convocação de data-Fifa. Isso é um complicador'', lamenta. Para um amistoso que a Jamaica realiza no próximo dia 26 contra os arquirivais de Trinidad e Tobago, por exemplo, Simões convocou 13 ''estrangeiros'', que só se juntarão aos demais jogadores às vésperas da partida.
Por essa dificuldade, Simões trouxe ao Brasil um grupo formado por 24 atletas que jogam apenas em times jamaicanos. Nem por isso se diz insatisfeito. Pelo contrário, aponta justamente uma melhor organização desses clubes e do campeonato nacional como a principal diferença em relação ao período anterior em que dirigiu a seleção do país. ''Hoje os clubes locais estão mais organizados e todos os jogadores vivem do futebol'', conta.
Apesar de não contar com boa parte do grupo que disputará as Eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, o técnico afirma que a seleção que veio ao Brasil tem seus destaques, como o meia Rudolph Austin e os atacantes Keammar Daley e James Thomas. Quanto à classificação para o Mundial, Simões garante que seu time tem chances. ''A teoria diz que Estados Unidos e México vão se classificar. Aí sobra uma vaga e meia, já que três se classificam direto e o 4º vai para a repescagem com o 5º da América do Sul. Temos que pensar nessa vaga e meia e aí está todo mundo na briga'', diz.
O otimismo é compartilhado pelo ex-jogador Theodore Whitmore, um dos auxiliares técnicos de Simões. ''Acho que temos um bom time para a próxima eliminatória e vamos trabalhar para estar na Copa do Mundo'', afirma Whitmore, destaque na campanha dos Reggae Boyz no Mundial de 1998. Foram dele os dois gols da única vitória naquele Mundial - 2 a 1 contra o Japão. Esse foi o terceiro jogo dos jamaicanos na Copa. Antes, haviam perdido de 3 a 1 para a Croácia e sido goleados pela Argentina, por 5 a 0.
Amistosos
A seleção da Jamaica empatou o primeiro dos quatro amistosos que fará no Paraná. Domingo, em Ponta Grossa, a equipe de Simões ficou no 1 a 1 com o Operário. Hoje, a Jamaica volta a campo para enfretar o Atlético-PR. Na quinta-feira, o adversário será o Paraná e no domingo será a vez do Coritiba. Os três amistosos serão disputados em São José dos Pinhais.


