Regata: veleiros fazem turismo em arquipélago
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quinta-feira, 06 de abril de 2000
Por Julio Cruz Neto 
São Paulo, 07 (AE) - Uns por necessidade, mas a grande maioria por turismo, alguns veleiros decidiram aproveitar a Regata do Descobrimento para conhecer as belezas naturais da antiga Ilha de Vera Cruz, acrescentando escalas ao roteiro da viagem. Já o Cisne Branco, que leva a bordo a reportagem da Agência Estado, segue direto para Salvador. Usando o motor para superar as calmarias equatoriais, oito veleiros fizeram uma invejável parada no arquipélago de Fernando de Noronha: Dominó, Mala Moja, Paratii, Sadalsuud, Santa Tereza, Vagalouca, Vento Meu e Vole au Vent, que podem "motorar" porque fazem apenas a viagem, sem disputar a regata.
Tripulante do Vagalouca, José Campos conta que chegou a Noronha ontem e partiu para Salvador hoje à tarde: "Demos uma volta na ilha quando chegamos e hoje aproveitamos para mergulhar." E que ficou encantado com o que viu: "Foi minha primeira vez. As praias são paradisíacas e o povo é muito cordial e simpático." Já o veleiro português Santa Cruz está a caminho de Recife para reabastecimento, pois um problema nas velas o fez ficar mais tempo que o previsto no mar. "Fiquei com receio de não ter gasóleo (diesel) até Salvador e estou me dirigindo para Recife", disse ontem o comandante João Talone.
A vela já está reparada, mas ele explica que precisa de muita energia "por causa das geladeiras e frigoríficos". E o gerador funciona a diesel. O Oceanos, outro veleiro português, segue também para a capital pernambucana.
Enquanto isso, adivinhe quem está lá atrás, na latitude 00o08 sul, ainda próximo à linha do Equador? André Homem de Mello, o velejador solitário do veleiro Fia - aquele mesmo que largou atrasado para a segunda perna, entre Funchal e Mindelo, por causa de um problema no motor.
O motor voltou a apresentar problema, agora por causa de um parafuso. E ontem o Fia se arrastava a uma velocidade de 2 nós (3,7 km/h) na zona de calmaria, enquanto tentava contato por rádio com o Barconauta: "Ele está dois dias atrás na mesma direção. Se tiver esse parafuso, vou tentar trocar." Acostumado a velejar sozinho, André não parece abalado nesses dias em que seu veleiro praticamente não sai do lugar: "Continuo com a mesma rotina, lendo muito. E com o barco parado, estou nadando bastante.
Tenho água e suprimento para ir na vela até Salvador, se for preciso, mas não vou chegar no dia previsto." André pretendia chegar até o dia 13, quando o Cisne Branco estará atracando na capital baiana. O único que já chegou é o trimarã Bahia.
Dos veleiros que disputam a regata, o melhor colocado é o Viva, que no entanto desenvolvia ontem a pior velocidade: 5 nós (9,3 km/h). Marujo, mais ao sul, e Papa Léguas, mais a oeste
próximo à costa, ocupavam posições equivalentes - o Marujo a 7 nós (13 km/h) e o Papa Léguas a 8,5 nós (15,7 km/h). O Mariposa não divulga suas coordenadas desde terça-feira.
Pegando vento de sul e sudeste, o Cisne Branco velejou hoje com velocidade de 10 nós (18,5 km/h) durante boa parte do dia. Com o vento vinvo de través (lado), o Cisne Branco ficou o dia inteiro adernado (inclinado) a boreste (direita). Tanto no almoço quanto na janta, os tripulantes tinham de se preocupar em não deixar o feijão e a sopa derramarem na mesa. Também era preciso acertar toda a hora a posição da cadeira, que vivia escorregando - as mesas são pregadas no chão.
Mas a direção do vento fazia com que o navio tomasse o rumo de Natal, mais ao norte do que o previsto. Talvez a única maneira de corrigir o rumo seja ligar o motor, só que o objetivo do comandante Cantuária é fazer a viagem toda "no pano".


