Regata é para os "verdadeiros homens do mar"
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Fabrício Lima (Atenção Editor: 
No penúltimo parágrafo do Abre, acrescentar que o mineiro "Aruanã" também desistiu. O comandante Deosdete trouxe o barco até Vitória mas não participa da regata por causa de problemas pessoais também.)
Vitória, 19 (AE) - Preparar um barco para uma regata pequena com cerca de 30 milhas não é uma tarefa fácil. Então, imagine uma prova com mais de 1.200 milhas náuticas (cerca de 2.500 quilômetros) em direção a um ponto no meio do oceano Atlântico onde não se consegue estabelecer comunicação por telefone celular com o litoral. Para se ter uma idéia nenhuma aeronave tem autonomia suficiente para chegar.
"Essa regata não é para qualquer um não. É para os verdadeiros homens do mar", diz Jayme Larica, comandante do "Josephina". "Uma coisa é você arrumar o barco para uma distância mais curta. Outra, é ir até Trindade. É muito desgastante porque quanto mais você procura as coisas para arrumar no barco, mais você tem de trocar. É um trabalho minucioso", completa David de Oliveira, comandante do "Fuga II".
Faltando dois dias para a largada todos os barcos ainda acertavam os últimos detalhes. O "Mar sem Fim" teve problemas com o piloto automático. O pessoal do Normandie teve de trocar o gerador do barco. Até às 3h da manhã trabalharam os tripulantes do "Josephina" para deixar o barco perfeito para a regata.
Os barcos são praticamente construídos de fibra de fibro e alguns contam com muito conforto e beleza no seu interior, a chamada "caverna". Geradores, refrigeradores de ar são alguns dos itens que não faltam em nenhum barco, por isso recebem grande atenção dos tripulantes para largarem com tudo em bom estado.
O "Fuga II", um veleiro swan de 1972 considerado o rolls-royce do iatismo, passou por várias mudanças para enfrentar os quase 15 dias que ficarão em alto mar. O barco foi pintado, revisado e agora está pronto.
"Trocamos o mastro e colocamos quase todas as peças novas. Numa viagem dessas não se pode arriscar. Tem que estar tudo funcionando bem", fala David. Eduardo Marques Dias, tripulante do "Fuga II" já se previniu.
"Não vai ter problema. Mas mesmo assim eu já tenho seguro de vida.
Ninguém sabe o que poderá acontecer." Alguns veleiros tiveram a chance de testar se as modificações e reparos nas embarcação estão seguras na regata de abertura disputada hoje a partir das 14h. Eles contornaram a pedra da Tacutera passando por dentro da cidade de Vitória. Porém, alguns veleiros optaram por permanecer no pier fazendo os últimos retoques para a largada de amanhã, às 12h30, na praia do Camburi.


