Regata do Descobrimento: motores serão lacrados15/Mar, 15:36 Por Julio Cruz Neto Lisboa, 15 (AE) - Os organizadores da Regata do Descobrimento mudaram de idéia e resolveram lacrar os motores dos cinco barcos que efetivamente disputam a prova - a maioria das embarcações está apenas percorrendo a rota de Pedro álvares Cabral como uma viagem comemorativa dos 500 anos de sua chegada ao Brasil. Hoje, será dada a largada para a segunda perna, entre Funchal (Ilha da Madeira) e Cabo Verde, num total de 1.100 milhas (2.037 quilômetros). A confusão começou na chegada a Funchal, segunda-feira. Olmar Candaten, comandante do barco Papa Léguas, admitiu ter usado o motor para fugir da calmaria, assim como Luiz Alberto Ballarin, do Corumii - o que não é permitido pelo regulamento. E ficou irritado com outros barcos (em especial o Mariposa) que segundo ele fizeram o mesmo, mas alegaram ter chegado apenas à base de vento. O protesto de Candaten, num primeiro momento, não comoveu muito a organização. Mas hoje o Comandante Messeder, diretor da Federação Portuguesa de Vela, disse que os motores dos barcos Papa Léguas, Corumii, Viva (do Brasil), Marujo e Mariposa (de Portugal) serão lacrados: "Vão ser rebocados para poderem deixar a marina e depois seguirão viagem." E ele estará de olho: "Agora, só falta o Papa Léguas ser o primeiro a ligar o motor." Na próxima perna, graças aos ventos alísios, tende a haver mais vento para encher as velas. Mas os barcos não devem estar totalmente livres das calmarias, como lembra André Homem de Mello, o navegador solitário que está a bordo do Fia. Segundo ele leu em livros de navegação, os barcos passarão agora por uma região chamada em inglês de 'horse latitudes', entre 25º e 35º norte. Diz a lenda que nas antigas expedições marítimas, os navios ficavam dias parados nessa área do Oceano Atlântico, sendo obrigados a sacrificar os cavalos que estavam a bordo, porque bebiam muita água. Esse aqui não é o caderno de turismo, mas vai uma dica de viagem: se um dia você tiver a oportunidade de conhecer a Ilha da Madeira, não perca. Rodar por suas estradas sinuosas e estreitas, que levam a altitudes de quase 2 mil metros, é fantástico. Nos vales profundos, casas antigas conservam a história desse pedaço de terra que foi descoberto no início do século XV e ainda pertence a Portugal. Videiras e bananeiras estão por toda parte, assim como flores das mais variadas cores, em meio a uma vegatação que tem todos os tons de verde. O povo é acolhedor e a comida é deliciosa, especialmente o peixe (espada e atum), a espetada (churrasco) e o vinho. Perfeito para quem vai enfrentar mais nove dias no mar, até a próxima parada.

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