Referência nacional, Curitiba carece de ídolos no esporte
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sábado, 28 de março de 2009
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Há bem pouco tempo, Curitiba ganhou notoriedade não só pelo inovador sistema de transporte público ou pelos pontos turísticos que encantam os visitantes como os diversos parques e a Ópera do Arame. A cidade respirava esporte, e os holofotes se voltavam para o ginásio do Tarumã, com o time do Rexona e para o Centro de Excelência de Ginástica com as estrelas Daiane dos Santos e Daniele Hypólito.
O projeto do Centro de Excelência do Voleibol que abrigava o time feminino tetracampeão da Superliga, sob o comando do vitorioso Bernardinho, contudo, chegou ao fim em 2004, com a mudança da equipe para o Rio de Janeiro. No ano passado, novo adeus, desta vez das meninas e dos garotos da ginástica.
As estrelas do esporte de alto rendimento deixaram de circular na cidade. A carência de atletas de ponta reacendeu a discussão sobre as dificuldades de manter e revelar medalhistas em Curitiba. Falta de patrocínio e o apoio governamental continuam sendo os grandes vilões para a escassez de talentos. O curitibano continua se orgulhando com as conquistas dos conterrâneos Giba, na seleção masculina de vôlei, do campeoníssimo Emanuel, no vôlei de praia, além do incansável triatleta Juraci Moreira Júnior. Outros nomes acrescentariam a lista, mas não a prolongariam muito.
Acompanhar o trabalho de uma equipe ou um atleta campeão é uma das receitas para difundir o esporte. No vôlei de alto nível de competição, a saída do Rexona acaba fazendo falta na cidade, do público ver grandes estrelas, grandes nomes. Com essa perspectiva, de ter uma equipe de alto rendimento, a performance do esporte espetáculo, acaba atraindo mais crianças para a prática, afirmou o Dr.Wanderley Marchi Júnior, professor de Sociologia do Esporte na UFPR que, em seguida, destacou que o Rexona deixou saudades, mas também uma herança substancial. O projeto em si continuou, a iniciação ao esporte, o projeto social e não apenas a formação de atletas e isso é outro movimento, emendou.
Esportistas existem. Lugares, como os diversos parques espalhados pela cidade, também. Atletas e treinadores reclamam da carência de pistas de atletismo - uma delas, a do estádio Pinheirão, criada para fomentar o esporte, está abandonada há pelo menos três anos. Resta a Praça Oswaldo Cruz.
O cenário é pouco animador, mas alguns projetos mantêm a esperança desse quadro ser invertido no futuro. Entre eles, o do técnico Tadeu Natálio. Ele trabalha voluntariamente com crianças e adolescentes de 11 a 17 anos no projeto Pró Correr e nas dependências do Colégio Estadual do Paraná.
É um projeto onde qualquer criança da rede pública escolar pode participar. Temos 65 treinando, entre atletas a nível de competição nacional e outros iniciando na escolinha de atletismo, disse o professor, criticando a falta de investimentos e de mais espaços públicos para a prática de atletismo. Se tem um espaço, abre-se um campo de futebol e não se usa isso para ter uma pista de 400 metros, por exemplo, exemplificou.
Outra iniciativa, recém lançada e que pode revelar jogadores de alto rendimento na cidade é o Centro de Excelência do Basquete que tem como madrinha, a rainha Hortência.
Se Curitiba estava com saudades de ídolos nacionais, na última sexta-feira, o sentimento foi amenizado. Além de Hortência, a ex-jogadora Paula, o meia Juninho Paulista e o pentacampeão Cafu prestigiaram o lançamento do projeto que marca o início de um novo ciclo e deixa a esperança de que para o bem do esporte local não tenha fim.


