Curitiba - A Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná, através do procurador Davis Bruel, vai encaminhar hoje ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) o recurso para anular ou rever a decisão do julgamento da ''máfia do apito'' no Campeonato Paranaense. Na última terça-feira, apenas quatro dos 13 réus foram condenados com eliminação do futebol, o que gerou indignação até mesmo para o auditor que presidiu o inquérito, Octacílio Sacerdote Filho.
O texto que deve ser encaminhado por Bruel vai se basear na incoerência da decisão de absolvição da grande maioria dos réus e também no questionamento da justificativa de falta de provas. Como exemplo da parcialidade, Sacerdote Filho ilustra com a condenação do ex-dirigente do Marechal Cândido Rondon, Gilson Pacheco, réu que confessou ter subornado o árbitro Sandro César da Rocha, mais tarde inocentado.
A falta de provas também é alvo de questionamento no recurso que deve ser enviado hoje pela Procuradoria do TJD-PR. ''Eles (quatro auditores que votaram contra a condenação da maioria dos réus) alegam que faltam provas mas 95% dos julgamentos da esfera esportiva são feitos com provas testemunhais, com súmulas de árbitros e depoimentos. Essas provas estão lá, raramente os casos do TJD têm prova material'', explicou ontem Sacerdote Filho.
Outro argumento que deve reforçar a reavaliação ou anulação da decisão do TJD-PR é a releitura do artigo 131 do Código Brasileira de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê ''voto de qualidade'' ao presidente do tribunal. O julgamento do diretor-administrativo da Federação Paranaense de Futebol (FPF), José Johelson Pissaia, e dos árbitros Antônio Salazar Moreno, Marcos Tadeu da Silva Mafra e Sandro César da Rocha, ficou empatado com quatro votos. Neste caso, o presidente do TJD-PR, Bôrtolo Escorssim, que votou a favor da eliminação dos envolvidos, poderia desempatar o pleito e os réus seriam condenados.
Dos 13 indiciados, apenas os dirigentes Genézio Camargo, Gilson Pacheco e Silvio Gubert, além do árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, foram condenados. Com exceção de Gubert, todos já haviam se desligado do futebol no Paraná. Cidão promete vir de Londres, onde mora atualmente, para mostrar um cheque de R$ 5 mil, mais uma escala de arbitragem rasurada, com o objetivo de aumentar ainda mais o volume de denúncias no ''mar de lama'' instaurado nos certames estaduais. No entanto, Cidão não precisou quando isso pode acontecer.

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