Recuperado, Gardenal diz que volta a pilotar em janeiro
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sábado, 14 de dezembro de 2002
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Ele chegou bem perto do limiar entre a vida e a morte. O piloto Ernesto Pívaro Neto, 40 anos, mais conhecido como Gardenal, concedeu ontem sua primeira entrevista exatos 49 dias após o grave acidente que por muito pouco não lhe tirou a vida.
Em sua memória, ainda habita um vazio. Não se lembra dos angustiantes momentos que seu carro perdeu aderência na pista molhada e bateu com violência no muro de uma das curvas do Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina. Não se recorda também dos homens do Siate cortando seu macacão e o cinto de segurança que o comprimia contra as ferragens do carro. Do acidente, não há o que recordar. Só há motivos para celebrar uma recuperação espantosa depois de 17 dias em coma na UTI da Santa Casa.
''Tenho dentro de mim um sentimento de gratidão muito grande. Não encaro o acidente como um castigo divino ou coisa parecida. Não há responsáveis. Foi uma fatalidade e fatalidades não têm responsáveis. Ninguém poderia me impedir de entrar na pista naquele momento. Sou um piloto federado e graduado, sabia o risco que estava correndo'', disse o piloto londrinense, quase 15 quilos mais magro depois do acidente, ocorrido durante os treinos livres da penúltima etapa da Copa Econorte categoria marcas.
Mesmo comprometido com o calendário da Fórmula Truck, sua prioridade naquele momento, Gardenal esclareceu ontem que tinha a intenção de participar da prova regional, que pela primeira vez teria o traçado da pista invertido. ''Eu estava treinando para competir. Já tinha feito algumas simulações para sentir o novo traçado. Niguém esperava que aquela fatalidade ia acontecer'', ponderou.
Anônimos, pilotos, médicos, mecânicos, amigos, família. Gardenal reconquistou o prazer pela vida graças ao despreendimento de pessoas que sempre acreditaram em sua recuperação. Hoje, alegre e animado, não cansa de agradecer ao carinho e atenção que recebeu, principalmente durante o período que permaneceu no hospital. ''Tenho muita gratidão por essas pessoas. Tenho em meu computador mais de 700 e-mails, a grande maioria de gente que nem conheço. Essas coisas é que me fazem ter certeza de que estou no caminho certo'', disse.
Ainda com dificuldades em andar faz diariamente fisioterapia e exercícios para recuperar o equilíbrio e ganhar massa muscular Gardenal ignora os efeitos do trauma e já marca seu retorno às pistas. ''Quero fazer meu primeiro treino dia 15 de janeiro. Não vejo a hora de sentar no caminhão e acelerar. Não há medo. Não há receios'', afirmou. ''A paixão continua a mesma. Quando voltar, será como se estivesse dirigindo pela primeira vez'', confessou.


