RECUPERAÇÃO - Ex-jogador luta contra doença rara
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sábado, 22 de maio de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O ex-jogador de futebol Jéfferson Vieira da Silva, 33 anos, continua lutando contra uma doença rara, a Síndrome de Behçet, que contraiu há cerca de dois anos, na época em que se transferia do Atlético Mineiro para o Juventude. A doença paralisou todos os movimentos de seu corpo. Aos poucos, com auxílio da fisioterapia e da hidroterapia, vem retomando alguns movimentos, aumentando as esperanças dos familiares e amigos de uma plena recuperação.
A esposa Adriana Oltramari da Silva, 32, lembra que desde os primeiros sintomas até a constatação da doença foram quase 11 meses. A princípio foi diagnosticada uma meningite, ainda em Caxias do Sul (RS), e depois uma tuberculose cerebral, quando estava internado na Santa Casa de Londrina, sua cidade natal. O ex-jogador contraiu as doenças por causa da baixa imunidade de seu corpo, resultante da Síndrome de Behçet que, segundo especialistas, pode ter sido contraída através de frutas ácidas ou chocolate.
Desde a identificação da doença, Jéfferson vem fazendo sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, pois, além dos movimentos, perdeu a fala. A esposa conta que o jogador se comunica através de sinais manuais e que, em algumas situações consegue produzir ruídos. ''Mas ele está lúcido e consciente de tudo'', observou.
A família fez várias consultas em busca de tratamentos inovadores para a doença, mas não obteve sucesso. A solução foi aumentar a carga de exercícios do ex-jogador, que desde março participa de sessões de hidroterapia. ''Na segunda sessão ele conseguiu movimentar a perna esquerda. Foi uma emoção muito grande'', afirmou Adriana.
A esposa disse que a esperança futura é de que Jéfferson passe por um trabalho de recuperação motora no Hospital Sara Kubitschek, em Brasília, considerado referência em reabilitações. A família possui amigos na capital federal que auxiliam na busca de informações. Enquanto isso, o ex-jogador continua a medicação com corticóide, responsável por coibir o avanço da doença.
Adriana ressaltou que, além do tratamento e da medicação, a preocupação demonstrada pelos amigos vem sendo fundamental para a recuperação de Jéfferson. Muitos ex-companheiros, como o atacante Aldrovani e o zagueiro Sangaletti, mantêm um contato constante com a família, residente no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste de Londrina). O carinho dos filhos, Pedro Henrique, 8, e Maria Clara, 7, é outra fonte de alegria para o jogador. ''Eles adoram estar com o pai'', disse Adriana.
Para manter os gastos com a doença, a família conta com o dinheiro do aluguel de um apartamento e do auxílio-doença. Além disso, ano passado, ex-companheiros se uniram para ajudar o jogador, ao disputarem amistosos beneficentes. Cerca de R$ 30 mil foram repassados à família de Jéfferson. Parte do dinheiro foi usada para compra de uma mesa ortostática, que possibilita ao jogador ficar em pé.
Segundo Adriana, Jéfferson ainda não recebeu o dinheiro devido por Atlético Mineiro e Botafogo, referente a rescisão contratual, no caso do clube mineiro, e salários, 13º e FGTS, no caso dos cariocas. Jéfferson começou a carreira nos juniores do Botafogo-SP e depois se transferiu para o xará carioca. Passou ainda por Palmeiras, Cerro PorteÀo (Paraguai), voltou para o Botafogo-RJ e depois jogou no Vasco, Sport, Bahia e Atlético Mineiro. Atuou ainda em um amistoso pela seleção brasileira, em 95, contra Honduras.


