Recuo de Grafite decepciona quem luta contra racismo
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Agência Estado 
São Paulo - A suposta intenção do atacante Grafite de deixar de propor a queixa de injúria qualificada contra o zagueiro argentino Leandro Desábato, do Quilmes, como já foi noticiado na Argentina, desagrada profundamente os representantes das entidades que lutam contra o racismo.
Frei Davi, da Educafro, entidade que luta pelos direitos dos afrodescendentes e negros carentes de São Paulo, faz um apelo para que o jogador não desista ''de uma luta que já perdura 500 anos no País''. ''Se isso se confirmar, a causa sofrerá uma grande derrota. Por isso, apelamos ao Grafite para que siga denunciando atitudes racistas dentro e fora do futebol'', disse o frei.
No calor da discussão que tomou conta do noticiário esportivo na última semana, Grafite foi o primeiro a bater no peito e afirmar aos quatro ventos sua disposição de seguir com a causa. ''Não vou me inibir se houver outro caso. Vou reagir sempre. Gostaria muito de me aproximar dos representantes das comunidades negras. Farei tudo que puder para ajudar nesta luta'', disse o atacante, um dia depois de mandar para prisão o argentino Desábato, que o chamou de ''negro'' durante partida no Morumbi, pela Libertadores.
O jogador são-paulino ainda não tomou sua decisão. Mas somente ele poderá levar o caso adiante. A lei diz que o ofendido, e mais ninguém, tem prazo de seis meses para propor a queixa de injúria qualificada.
O especialista diz que somente Grafite tem o poder de levar a denúncia em frente. Nem o promotor nem o magistrado podem decidir por ele.


