Entre os brasileiros, o nome do atual campeão, o paranaense Émerson Iser Bem, é o mais lembrado na lista dos favoritos ao título da São Silvestre. Mas a principal estrela nacional da prova, o recordista mundial da maratona Ronaldo da Costa, de 28 anos, não deve largar hoje.
Ronaldinho já tinha avisado que não treinou o suficiente depois da Maratona de Berlim, em setembro, quando estabeleceu a marca, e não estava em boa forma para vencer a São Silvestre. Mas ontem, nos treinos da manhã, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, sentiu fortes dores no calcanhar do pé esquerdo e não deve correr. Fez suspense e deixou a decisão para hoje cedo.
Um resfriado, na última semana, ‘‘curado com o mingau de fubá da mãe’’, em Descoberto, Minas Gerais, onde passou o Natal, piorou o quadro de falta de forma nesta época de treinamento de base para a próxima temporada, agravado ainda mais pelas dores no calcanhar. ‘‘Queríamos o Ronaldinho no Brasil para ajudar a divulgar a São Silvestre, mas o atleta tem de pensar na temporada que se inicia e não deve correr no sacrifício em uma prova que seria uma festa para ele’’, disse Victor Malzoni Jr., o diretor da prova, deixando Ronaldinho livre para decidir.
Andando pelo Hotel Brasilton com um saco de rapadura feita pela mãe nas mãos - trouxe de Descoberto -, Ronaldinho disse que está somente a 11% de sua capacidade física e que ‘‘é muito ruim correr sentindo dor’’.
Tem feito entre 180 e 200 quilômetros de corrida por semana, treinando para a Maratona de Londres, em 19 de abril, sua principal prova em 1999. ‘‘Me adaptei bem à maratona, apesar do sofrimento dos treinos’’, disse Ronaldinho. Depois do recorde mundial, o atleta, que vestia Nike, assinou um contrato de três anos com a Fila. Ronaldinho não revela valores e evita falar sobre patrocínio e cachês. Comenta-se que o seu empresário negociou um cachê de US$ 250 mil por sua presença na Maratona de Londres.
Ronaldinho, que está morando em San Diego, nos Estados Unidos, não sabe se continuará lá, como planejou o seu técnico Carlos Alberto Cavalheiro, até a Olimpíada de Sydney, no ano 2000. ‘‘Vamos ver até onde o coração aguenta’’, afirmou. Disse que sente a diferença de cultura e alimentação e saudades dos amigos e da família. ‘‘Prefiro ficar em Descoberto, vamos ver.’’
Luiz e Valdenor - Luiz Antônio dos Santos, bicampeão da Maratona de Chicago (1993 e 1994), e Valdenor dos Santos são outros brasileiros que podem surpreender. Luiz, que está treinando em Campos do Jordão desde outubro, observou que a ‘‘São Silvestre está no caminho do seu objetivo principal, que é a próxima temporada’’. Tranquilo, diferente do elétrico Ronaldinho, Luiz Antônio afirmou que está preparado para fazer uma boa prova.
A 74ª Corrida de São Silvestre contará com um moderno e preciso sistema de cronometragem de tempo dos participantes da prova. Mil e trezentos atletas usarão um chip no tênis que permitirá as tomadas de tempo em vários pontos do percurso.

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