Recomeça amanhã o rali Dacar-Cairo
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domingo, 16 de janeiro de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Niamey, 16 (AE) - Chega de folga. Após seis dias descansando em Niamey, capital do Níger, por causa da ameaça terrorista que parou o rali Dacar-Cairo, os pilotos voltam nesta segunda-feira aos seus carros, caminhões e motos para percorrer os 446 quilômetros da 11a etapa (na prática, a sétima), entre Sabha e Waw el Kebir, na Líbia. Até o Cairo, capital do Egito, onde termina a prova, serão mais sete etapas, em terreno desértico.
Os onze brasileiros que largaram em Dacar continuam no rali. E recomeçam a aventura com objetivos distintos. André Azevedo, tendo ao seu lado no caminhão Tatra os checos Tomas Tomecek e Petr Vodak, é o único que tem esperança de ser campeão no geral. Em segundo na classificação, André tem 40min05 de desvantagem para o Kamaz dos russos Tchaguine, Yaboukov e Savostine. E 16min25 de vantagem sobre seu principal concorrente, o outro Tatra, pilotado pelo checo Karel Loprais. A tática para tentar a vitória, conta André, é "fazer tudo certo e apostar no erro dos outros, que são mais rápidos." Klever Kolberg tem missão cujo nível de dificuldade é semelhante - possível, mas não muito provável. Pilotando um Mitsubishi ao lado do navegador francês Pascal Larroque, Kléver busca a vitória na categoria maratona. Sua ambição para esse Dacar era maior, mas dentro das circunstâncias, com um carro limitado, já será um grande resultado. Sua desvantagem para o líder da categoria é de quase uma hora. Kléver aposta num bom desempenho nas dunas para tentar tirar a diferença.
Completando a equipe BR Lubrax, o motocilista Joaquim Gouveia, mais conhecido como Juca Bala, precisa antes de mais nada chegar inteiro ao Cairo para provar para si mesmo, para os "patrões" Kléver e André e para o patrocinador que é capaz. Devido a uma queda na quinta etapa, Juca ficou mais longe de outro sonho: vencer a categoria maratona. Quase três horas o separam do líder.
Há ainda os quatro carros da equipe Troller, estreante no Dacar. Após alguns desentendimentos e disputas por posições no início, os oito competidores chegaram à conclusão de que era melhor não abusar dos jipes. Atingiram a metade da prova, com uma providencial ajuda do cancelamento de quatro etapas, e agora já sonham em chegar todos ao Cairo.
Uma das armas para atingir esse objetivo, e economizar alguns minutos na hora de encher e esvaziar pneus, é o rodoar, sistema que permite alterar a pressão de dentro do carro, sem pará-lo. Quando houver pistas com pedras e trilhas de areia fofa na mesma etapa, será útil, pois nas pedras usa-se pneus mais cheios e na areia, mais vazios.
Roberto Macedo, um dos pilotos, aposta que o sistema vai funcionar bem. Mas teme o "facão", ou seja, o sulco formado na areia pela passagem dos carros e, principalmente, dos caminhões. Isso porque o cabo metálico que faz essa função é externo e fica muito além da lateral do carro. Por isso, é vulnerável.
Para conversar com os pilotos e combinar a estratégia para o resto da corrida, Mário Araripe, dono da Troller, veio de jatinho do Brasil para Niamey e passou o dia aqui. Quanto melhor a campanha no Dacar, mais carros ele espera vender. E também impulsionar a participação da marca nas provas de fora de estrada. O piloto Arilo de Alencar, que foi cogitado para fazer parte da equipe no Dacar e deve pilotar carros da Troller em outros ralis, veio junto.


