Agência Estado
De São Paulo
O que mais surpreendeu Rubens Barrichello em seu primeiro dia de atividades oficiais como piloto da Ferrari, ontem, na Itália, não foi percorrer as instalações da mítica escuderia, mas a reação da torcida. ‘‘Eu realmente não esperava tamanha demonstração de carinho, desde o aeroporto de Bolonha até as manifestações na porta da fábrica, em Maranello’’, disse Rubinho. Sobre a sede da equipe, comentou: ‘‘É impressionante, é uma cidade’’.
Por mais que esperasse, em nenhum momento Rubinho imaginou receber tamanha recepção – votos de felicidade, boa sorte e apoio à sua contratação. ‘‘Foi um dia de prazeres extremos’’, definiu o piloto. Após almoçar com o presidente da empresa, Luca di Montezemolo, e o diretor-esportivo, Jean Todt, Rubinho percorreu todas as instalações da fábrica.
‘‘Eles me levaram para conhecer a divisão de competição (reparto corse) e a de produção de veículos de série’’, contou. ‘‘O modelo 356 Maranello é muito bonito, mas se decidir comprá-lo terei de esperar um pouco, já que dinheiro não cai do céu.’’
O domínio do idioma italiano, decorrente do ano em que morou na Itália, 1990, e foi campeão da Fórmula Opel, ajudou bastante no primeiro contato. ‘‘Falei 90% do tempo em italiano e eles gostaram.’’ Atendendo à orientação da direção da Ferrari, Rubinho não deu detalhes da visita. ‘‘Eles pediram que deixássemos a entrevista para o dia 1.º, após meu primeiro teste com o carro, em Fiorano.’’ Jornalistas italianos esperavam por ele na saída da fábrica, em Maranello.
Sentar no chassi F399, que levou a Ferrari ao título de construtores este ano, mexeu com os sentimentos do piloto. ‘‘Não vejo a hora de acelerá-lo na pista.’’ Após tirar o molde para o banco e registrar as medidas para a regulagem da pedaleira, cintos de segurança e posição dos espelhos, Rubinho comentou que pode até ser possível brecar com o pé direito já no primeiro teste, situação que não esperava.
Tanto Michael Schumacher quanto Eddie Irvine freavam com o pé esquerdo e a posição dos pedais e da coluna de direção do carro sugeriam que o brasileiro teria de brecar também com o esquerdo, o que não lhe agrada. ‘‘Como tenho pé pequeno, calço 39, de repente até dá para deslocar o pé de um pedal para o outro.’’ No modelo F340, o da próxima temporada, Rubinho não terá dificuldades, pois o cockpit está sendo construído para atender à sua característica de frear com o pé direito.
O objetivo de Rubinho, ontem, era conhecer também o circuito de Fiorano, ao lado das instalações da equipe, mas não sobrou tempo. O futurista túnel de vento da Ferrari, inaugurado no ano passado, impressionou-o. ‘‘Ele é incrível.’’ Se necessário, esse túnel permite que o carro em tamanho natural possa ser testado no seu interior, apesar de os estudos de desenvolvimento adotarem escala de 60% das dimensões.
Sobre uma pequena cirurgia para a correção de uma costela, que lhe causa dores quando pilota, Rubinho confirmou que apenas na próxima semana, depois de nova consulta médica em São Paulo, definirá o que vai fazer e quando.Piloto brasileiro se surpreende com as demonstrações de carinho em sua primeira visita à fábrica da escuderia italiana
France PresseBOAS VINDASRubinho com o diretor-esportivo da Ferrari, Jean Todt, em Maranello: ‘Foi um dia de prazeres extremos’

mockup