Salvador, 14 (AE) - Andar pelo Centro Náutico de Salvador é entrar em contato com uma atmosfera excelente, uma energia muito positiva. Os participantes da Regata do Descobrimento ficaram encantados com a receptividade que tiveram e mais ainda com a cidade. Também ficou encantado quem viu entrar na Baía de Todos os Santos, com todas as velas e uma salva de 21 tiros, o navio-veleiro Cisne Branco, da Marinha, que leva a reportagem da Agência Estado.
"Isso aqui é fantástico e estou muito satisfeito com o esforço que fizeram para recuperar essa cidade", disse hoje o português José Pinto Ribeiro, tripulante do Akymoro. "E as pessoas são muito simpáticas", completou sua namorada Cristina Fernandes.
A tripulação do veleiro português Marujo está se sentindo tão adaptada que já aprendeu a pechinchar com categoria. No Mercado Modelo, Horácio Basílio comprou um fóssil de peixe incrustado numa pedra por metade do preço: "Custava R$ 45, mas eu disse que só tinha R$ 23 e ficou por isso mesmo." Seu irmão Gabriel Basílio pagou R$ 20 num berimbau que custava R$ 25: "Mas com direito a três dias de aulas." Horácio conta que chegou com muito medo de ser assaltado: "Falaram horrores, mas me sinto muito seguro. No Pelourinho, tem polícia em todo lugar. Até quando um bêbado chega perto, eles tiram." Já seu compatriota Juca Oliveira, do Mariposa, não teve a mesma sorte: "Fui assaltado em frente ao Teatro Castro Alves, terça-feira, num trio elétrico. Me empurraram e roubaram meu relógio." Luiz Alberto Ballarin, do Corumii, conhecido por Lula, elogiou a limpeza da água: "Mudou muito e pra melhor. Agora se vê até o leme do barco. Antes, era totalmente poluída." E também o trabalho dos organizadores: "Na Madeira, a zona da marina era ruim. Em Cabo Verde, foi outro transtorno. Aqui, deram uma aula de organização, receptividade, fraternidade até. Isso cria um astral diferente." Lula ficou tão empolgado que desistiu de parar em Salvador, como havia planejado, e resolveu seguir viagem até o Rio de Janeiro.
O que o fez mudar de idéia, de fato, foi o bom relacionamento entre os participantes, acentuado em Salvador. Ao contrário dos outros portos, aqui todos os barcos puderam atracar no mesmo pier, lado a lado. E nenhum teve de ficar fundeado. Isso, diz ele, facilita o contato entre as pessoas: "Todo mundo fica passando por aqui, você acaba conversando, esquece o que está fazendo..." Além disso, há uma série de parentes que vieram ver seus marujos, como a mulher e as três lindas filhas de Amyr Klink.
Outra coisa que ninguém vai esquecer é a forma como os veleiros foram recebidos, com baianas vestidas a caráter, caipirinhas, frutas e rojões. "Tinha 40, 50 pessoas à nossa espera", lembra Cristina, do Akymoro. Horácio, do Marujo, também ficou impressionado: "Nunca cheguei num porto com uma recepção assim."

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