Cerca de 50 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, foram às ruas de Brasília ontem recepcionar a Seleção Brasileira. O número de torcedores surpreendeu até mesmo os jogadores. O avião trazendo os atletas, familiares e jornalistas aterrissou às 7h15, cerca de uma hora após o horário previsto. A Seleção só saiu do aeroporto para enfrentar o trajeto de 12 quilômetros até o Palácio do Planalto às 9h55. Até esse momento, eles ainda estavam em dúvida se iriam ou não em carro aberto. O temor era de que não houvesse um número grande de pessoas nas ruas, o que poderia constranger os atletas.
France PressDe volta para casaTorcedores saúdam ônibus com a Seleção no trajeto até o Palácio: recepção surpreendeu os jogadoresDurante o percurso, que acabou sendo feito de ônibus, o time foi saudado por 30 mil pessoas. Outras 20 mil se concentraram nos arredores do Palácio do Planalto, onde a Seleção foi recebida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
No Palácio, a cerimônia de homenagem à Seleção terminou em confusão. O esquema de segurança montado pela presidência da República conteve com eficiência as manifestações em frente ao Palácio, mas não conseguiu controlar o ímpeto daqueles privilegiados que puderam assistir à solenidade dentro do Salão Nobre. ‘‘A idéia era liberar um pouco o isolamento, mas não teve jeito, fugiu ao controle’’, afirmou o chefe do cerimonial do Planalto, Valter Pecly. ‘‘Mas não há problema, faz parte da festa.’’
Embora toda a população tenha ficado confinada do lado de fora, a cerca de 100 metros da rampa e observada por forte aparato policial, os funcionários públicos lotados no Palácio do Planalto tiveram acesso livre ao Salão Nobre para assistir à cerimônia. Além disso, foram autorizados a trazerem seus parentes para acompanhar a solenidade. O próprio presidente Fernando Henrique adentrou o salão acompanhado por Flávio, seu sobrinho-neto. Usando uma camisa azul, do uniforme reserva da Seleção, o garoto assistiu a tudo entre as outras crianças, que ficaram sentadas no chão.
A mobilização dentro da Salão Nobre não excluiu sequer os ministros de Estado, que disputavam o melhor ângulo de visão, atrás dos vidros. Estiveram lá José Serra, da Saúde; Paulo Paiva, do Planejamento; Waldeck Ornelas, da Previdência; Paulo Renato de Souza, da Educação; e Eliseu Padilha, dos Transportes, que chegou acompanhado de duas crianças. Assessores parlamentares e funcionários dos ministérios também foram vistos circulando pelo Salão Nobre. Segundo a segurança, cerca de 600 pessoas assistiram à homenagem dentro do Palácio.
O tumulto começou quando um grupo de crianças e adolescentes ensaiou avançar em direção aos jogadores, que deixavam o Parlatório, de onde acenaram para a população aglomerada na Praça dos Três Poderes. Ansiosas por chegarem perto e gritando os nomes dos seus ídolos, elas avançaram e a segurança não as reprimiu, afrouxando os cordões de isolamento. O Salão Nobre do Palácio do Planalto foi completamente invadido e os jogadores disputados pela massa de servidores que ali estavam, para desespero da segurança, que perdeu o controle da situação.
Fernando Henrique Cardoso, que acompanhava a Seleção à saída, foi levado pela multidão e, resgatado pelos seguranças, ficou protegido no alto da rampa, despedindo-se individualmente de cada jogador. Houve discussões entre torcedores e seguranças.
Cabisbaixos, os jogadores da Seleção Brasileira desceram do ônibus que os trouxe do aeroporto para, em fila única, subir a rampa do Palácio do Planalto. O capitão Dunga, olhos vermelhos de tanto chorar, puxou a fila de jogadores que era a pura imagem da derrota, do desânimo e do cansaço. Uma hora mais tarde, depois da recepção calorosa dos brasilienses que estavam na Praça dos Três Poderes e da homenagem feita pela presidência da República, os jogadores eram outros: demonstravam autoconfiança, exibiam sorrisos, distribuíam autógrafos e acenavam para os torcedores que se espremiam na praça.
O atacante Edmundo, que entrou no Planalto chorando, ao final da cerimônia era um dos mais animados, atirava beijos para os fãs a todo momento. ‘‘É de comover, um País deste vibrar com o segundo lugar. É brilhante, maravilhoso’’, festejou o armador Leonardo, um dos que estavam mais abatidos na chegada ao Planalto.

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