Receita vai autuar craques da seleção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Agência Estado 
A Receita Federal vai autuar alguns dos principais craques da seleção brasileira até o fim do mês. A investigação preliminar feita nos contratos dos jogadores com os clubes e com os patrocinadores e o levantamento do patrimônio dos atletas revelou coisas cabeludas, conforme anunciou ontem Arnaud da Silva, chefe de fiscalização da Receita.
Muitas irregularidades foram constatadas pelos fiscais da Receita. Eles recolheram valores de contratos registrados na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e nos clubes e compararam os números com as declarações de renda dos craques. Resultado: muitos jogadores nunca justificaram seus rendimentos ao Fisco. Tem gente de elite do futebol brasileiro que nunca declarou Imposto de Renda, observou Arnaud. Tudo o que essas pessoas ganharam, omitiram, acrescentou, sem citar nomes.
Dentro de um mês, a Receita vai iniciar a fase de autuação administrativa, para cobrança de impostos devidos. No dia 22 de agosto a CBF entregou à Receita os valores dos contratos de trabalho dos jogadores Romário, Ronaldinho, Renato Gaúcho e Edmundo. A documentação de Romário, do Valencia, da Espanha, e de Ronaldinho, da Internazionale, da Itália, são referentes ao período em que os craques atuavam, respectivamente, no Flamengo e no Cruzeiro.
Edmundo, do Vasco, é um dos jogadores que nunca teria declarado Imposto de Renda. Ronaldinho, atualmente na Internazionale de Milão, está há três anos fora do Brasil e, de acordo com seus procuradores Reinaldo Pita e Alexandre Martins, declarou seus rendimentos ao Fisco quando atuava pelo Cruzeiro. Os procuradores garantem que, se houver problema do craque com a Receita, é pequeno e será solucionado. Ronaldinho é o jogador mais caro do mundo e vai receber US$ 5,5 milhões por ano, livres de impostos, no futebol italiano.
De acordo com Arnaud da Silva, a investigação inicial limita-se aos jogadores. Quando os atletas forem autuados, ou eles pagam ou entram com pedido de impugnação. O prazo para a contestação é de 30 dias. Se não contestarem, a procuradoria da Receita Federal manda cobrar.
A vigilância sobre Romário, do Valencia, é maior, porque não se restringe à pessoa física. A empresa do jogador, a RSF (iniciais de Romário de Souza Farias), também está sob investigação, porque teria remetido dinheiro ilegalmente para a Osmantia International, nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. O craque, que se recupera no Rio de uma contusão, disse que, se tiver alguma pendência com o Fisco, vai solucioná-la.


