Receita e PF investigam bens e negócios de Romário15/Mar, 21:01 Por Silvio Barsetti e Rodrigo Mattos Rio, 15 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) requisitou hoje à Receita Federal o resultado da ação fiscal que o órgão vem realizando sobre o atacante Romário, do Vasco desde a averiguação dos bens do jogador, de acordo com suas declarações de renda, a seus vínculos com empresários que têm negócios nas Ilhas Virgens. Aberto em julho de 1996 pela Polícia Federal, um inquérito policial apura a possibilidade de o jogador ter cometido os crimes de sonegação fiscal e de lavagem de dinheiro delito que prevê pena de dois a seis anos de prisão. O contador de Romário, Adevair Braga de Freitas, que tem uma procuração do jogador para movimentar os seus bens, é um dos sócios da empresa Edemar Empreendimentos Imobiliários, criada nas Ilhas Virgens, conhecido paraíso fiscal do Caribe. A empresa foi aberta em 7 de fevereiro de 1996, com capital de R$ 200 mil, e tinha como objetivo construir e administrar imóveis. Para o MPF, essas informações são um indício forte de que tenha havido remessa ilegal de dinheiro para fora do País. Outra empresa criada nas Ilhas Virgens foi a Osmatia, cujo dono é Michel Barth. Acionista majoritário da Romário Souza Faria Promoções que cuida da imagem do jogador , o pai do atacante, Edevair de Souza Faria, vendeu, em 1996, três imóveis à Osmatia, por preços inferiores aos de mercado. Os imóveis estavam avaliados em cerca de R$ 800 mil e foram negociados por aproximadamente R$ 300 mil. O fato também despertou o interesse do MPF. Todos as pessoas que tiveram o nome citado no inquérito prestaram depoimento à Polícia Federal. Em seu depoimento, Romário negou qualquer ligação com a Edemar Empreeendimentos Imobiliários e a Osmatia, mas confirmou que Freitas é seu contador. Sobre a venda dos imóveis, o atacante afirmou que era responsabilidade de seu pai. Edevair, por sua vez, disse que não lembrava do negócio. A origem do inquérito foi o processo movido em 1995 pela ex-mulher de Romário, Mônica Santoro Carvalho, que reinvindicava o pagamento de pensão alimentícia para os dois filhos do casal, Moniquinha e Romarinho. A pensão tem provocado um briga judicial entre Mônica e Romário, que se estende até hoje. Após a divisão de bens ter sido estabelecida, Mônica entrou com uma petição na 5ª Vara de Família do Rio, em julho de 1996, alegando que a lista de bens do jogador estava incompleta e ele estava ocultando os bens para fugir da partilha. A partir da lista, a juíza da 5ª Vara, Odete Kanack de Souza, enviou uma notificação ao MPF procedimento comum quando há suspeita de irregularidade. O MPF pediu então à PF que fosse aberto inquérito e requistou à Receita Federal o início da ação fiscal que investigasse o caso. Dependendo do resultado das apurações, Romário poderá ser processado criminalmente por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

mockup