Receita, agora, é solidariedade
Receita, agora, é solidariedade
Élber Geovani
Especial para a Folha
A Seleção Brasileira me decepcionou diante da Noruega, mas agora o que interessa é o Chile. Podem ter certeza de uma coisa: vamos passar maus bocados contra eles. O Chile tem um bom time. Não pensem que vai ser fácil. Precisamos ficar atentos à dupla Salas-Zamorano. Os dois desequilibram na frente. O ataque é o ponto forte do nosso próximo adversário.
Já a defesa do Chile atua naquele estilo sul-americano que tão bem conhecemos. Chega junto e pega forte. O meio-de-campo não é diferente: bate no calcanhar da gente. Não vamos encontrar moleza. É importante que o Brasil mostre seriedade. Espero que o esquema do Zagallo não repita as falhas que cometeu no jogo de terça-feira. Não gostei do que vi. Depois de uma boa estréia (Escócia) e do futebol legal que apresentamos contra o Marrocos, eu passei a confiar no título. Agora, não nego que estou um pouco apreensivo.
Nossa zaga me deixou preocupado. É verdade que o árbitro esteve horrível. Mas, ao tomar um gol, a Noruega foi lá e virou o resultado. Nosso time me pareceu desarrumado. Para que possamos ganhar do Chile, é fundamental corrigir alguns defeitos. Júnior Baiano e Aldair (não atuou no jogo anterior) estão desentrosados e precisam se entender depressa. Afinal, os dois terão a missão de marcar nada mais nada menos que Salas e Zamorano.
Outra coisa é a falta de coordenação entre o meio-de-campo e os homens de área. Disso eu posso falar à vontade porque sou atacante e sei como é que as coisas acontecem na frente. O Rivaldo não pode, como vimos diante da Noruega, prender demais a bola. O Leonardo deveria permanecer na função que ele sabe executar ali pelo meio. Nada de ficar perdido pela direita. Se os meias não ajudarem, o Ronaldinho continuará isolado. Ademais, é mostrar um futebol solidário e taticamente organizado.
- Élber Geovani, ex-atacante do Londrina e da Seleção Brasileira, atua no Bayern Munique, da Alemanha





