Rebelo diz que CBF ameaça presidente de federações
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 1999
Por Anderson Couto 
São Paulo, 08 (AE) - O deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP) continua sua cruzada pela Câmara dos Deputados na tentativa de conseguir assinaturas para a instalação de uma CPI que investigue possíveis irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O trabalho, porém, não está fácil. "Estou enfrentando uma verdadeira guerra no Congresso, pois a CBF armou um esquema para induzir os parlamentares a não aceitar a CPI", afirmou Rebelo. Segundo o deputado, integrantes da entidade, comandada por Ricardo Teixeira, estão visitando os parlamentares em Brasília para convecê-los a retirar a assinatura da lista que solicita a abertura da CPI. "Também estão pedindo para os que ainda não assinaram a esquecer o assunto", disse. Rebelo garantiu que a "operação armada pela CBF" conta com a participação de artistas famosos e convites para jantares de gala. "Os presidentes de federações estaduais também estão recebendo ameaças", destacou o deputado. "É uma forma de intimidá-los a esquecer um trabalho que busca mostrar com transparência ao público o que acontece na entidade que dirige o futebol brasileiro."
De acordo com Rebelo, a administração da CBF é privada, mas o esporte é de interesse público. O objetivo da CPI é investigar, principalmente, o contrato da CBF com a Nike, firmado em 1996. Rebelo chegou a entregar à Mesa da Câmara, há duas semanas, uma lista com 186 assinaturas. Outras seis foram anexadas mais tarde
totalizando 195. Deste número, contudo, 18 nomes não estavam registrados no órgão federal, 14 estavam duplicados e outros cinco ilegíveis. Cerca de 15 deputados, entre eles o vice-presidente de Futebol do Vasco, Eurico Miranda (PPB-RJ), decidiram retirar a assinatura da lista.
A decisão do dirigente carioca ocorreu no fim da semana passada, após uma reunião com Ricardo Teixeira, seu antigo desafeto, enquanto Rebelo estava na Antártida. "Pensei melhor e concluí que agora não é a hora de uma CPI", justificou Eurico. "Sou um cara com liderança na Câmara e sei que o Rebelo não vai conseguir nem 130 assinaturas."
Para poder levar o pedido de CPI a votação são necessárias 171 assinaturas. "Será um trabalho difícil, mas sei que vou conseguir todos os nomes", contou, esperançoso, o deputado do PC do B. "O problema será a aprovação do pedido no Congresso, pois a CBF vai fazer de tudo para não aprová-la." Rebelo disse que desconhece a mudança de opinião do dirigente vascaíno. "Eu estava viajando", explicou. "Mas o Eurico me garantiu que estaria do meu lado."


