Rebelo cobra providências da Conmebol contra racismo
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Agência Estado 
Brasília - As manifestações racistas contra o volante Tinga, do Cruzeiro, na noite de quarta-feira, levaram o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a cobrar providências da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) contra o racismo nas competições organizadas pela entidade, como a Copa Libertadores.
De acordo com o Ministério do Esporte, Aldo entrou em contato nesta quinta-feira com o presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo Aguerra, por telefone, para exigir "providências enérgicas" do dirigente. O ministro brasileiro pediu uma punição dura aos envolvidos em atos racistas, como o que atingiu Tinga na noite de quarta.
O jogador foi ofendido por torcedores do Real Garcilaso desde que entrou em campo no Peru, durante o segundo tempo da partida disputada em Huancayo, em rodada válida pelo Grupo 5 da Copa Libertadores. Após substituir Dagoberto, na estreia do Cruzeiro na competição, Tinga ouviu torcedores locais emitirem sons de macacos.
"No ano em que o mundo inteiro se une para disseminar uma mensagem contra o preconceito durante a Copa do Mundo do Brasil, é inconcebível o comportamento que vimos em Huancayo. Tinga tem todo o nosso apoio na luta contra o racismo, que, esperamos, será combatido com firmeza pela Conmebol", declarou Aldo Rebelo.
Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff criticou a manifestação racista no Peru. "Foi lamentável o episódio de racismo contra o jogador Tinga, do Cruzeiro, no jogo de ontem (quarta-feira), no Peru. Ao sair do jogo, Tinga disse que trocaria seus títulos por um mundo com igualdade entre as raças. Por isso hoje o Brasil inteiro está fechado com Tinga", disse Dilma.
Assim como Aldo Rebelo, a presidente lembrou que a Copa do Mundo terá como um dos seus objetivos disseminar mensagens contra o preconceito. "Acertei com a ONU e a Fifa que a nossa ''Copa Das Copas'' também será a ''Copa Contra o Racismo''. Porque o esporte não deve ser jamais palco para o preconceito", declarou.
Tinga também ganhou o apoio da CBF e do seu presidente, José Maria Marin. "Não só como presidente da CBF, mas, sobretudo como amante do futebol, tenho o dever de repudiar essa prática absurda de racismo que continua acontecendo nos estádios. O futebol é símbolo de congraçamento, de alegria e não de demonstrações de preconceito e intolerância", declarou por meio de nota oficial.
Jogadores e ex-atletas, como Neymar, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, também se manifestaram sobre o episódio. Até Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, arquirrival do Cruzeiro, censurou a atitude racista dos torcedores peruanos.


