Brasília, 11 (AE) - Caso sejam confirmadas o número suficiente de assinaturas de deputados, pode ser instalada em até um mês uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a empresa norte-americana Nike. O deputado Aldo Rebello (PCdoB-SP) afirma que coletou 207 assinaturas, 36 a mais do que o mínimo necessário para a instalação de uma CPI.
De acordo com a Secretaria da Mesa, sendo confirmadas as assinaturas, o pedido vai para uma fila de votação, com cinco pedidos de instalação de CPIs na frente. Chegando ao plenário, o desafio é conseguir maioria dos 513 deputados para aprovar a formação da CPI. No dia 5 de fevereiro, Rebello estava com o número mínimo exato de assinaturas para pedir a abertura da CPI, mas pouco antes de entregar a lista à Mesa, cerca de 20 deputados resolveram desistir. Segundo um assessor técnico do deputado, dois deputados do PMDB lideraram o lobby para contabilizar os desistentes de última hora: Marcos Vicente, presidente da Federação Capixaba de Futebol e Darcísio Perondi, irmão do presidente da Federação Gaúcha de Futebol.
A idéia da CPI é esclarecer pontos "obscuros" do contrato com a Nike. No entendimento do requerente da CPI, "a empresa norte-americana dita regras para a CBF, o que contraria a independência definida na Lei Pelé". Essa "soberania nacional do esporte" seria exemplificada por um dos artigos do contrato, que tem mais de mais de 70 páginas. Nele, a CBF concorda em não realizar amistosos na Europa, nos Estados Unidos
Japão e Coréia do Sul caso a Nike tenha a pretensão de marcar amistosos naqueles países ao mesmo tempo.

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