São Paulo - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, vai usar a renda obtida pela Copa do Mundo no Brasil para ganhar amigos - e votos - para a sua própria reeleição. Mas, em uma rebelião poucas vezes vistas na entidade, a Europa pede o "fim do reinado" do cartola, o acusa de estar "minando a reputação do futebol" e abre uma crise sem precedentes na Fifa.
Nesta terça-feira, a entidade deu início ao seu congresso anual permeada por escândalos de corrupção e uma intensa disputa de poder. No centro das atenções está a campanha de Blatter para continuar no comando. O suíço tem o apoio de quatro das seis confederações regionais para as eleições que ocorrem em 2015. Mas sofreu um duro golpe depois que a Europa abriu guerra contra ele. Em uma reunião da Uefa com ele, dirigentes europeus deixaram claro que a presidência da Fifa não poderia continuar nas mãos do suíço.
Na reunião, quem se levantou contra Blatter foi o presidente da Federação Holandesa de Futebol, Michael Van Praag. "Blatter não é levado à sério e isso não é bom nem para a Fifa nem para o futebol mundial. Ele não pode mais continuar a reinar", afirmou.
Após o discurso do holandês, Blatter não escondeu sua irritação. "Não vou me demitir hoje", disse. Os europeus aguardam a decisão de Michel Platini sobre uma eventual candidatura. "Só vou tomar uma decisão em setembro", disse o francês. "Mas estou muito orgulhoso das associações europeias".
Os europeus se queixam de pelo menos três aspectos da gestão Blatter: a incapacidade de um basta à corrupção, a compra da Copa pelo Catar e a falta de democracia na gestão do futebol. Outra queixa é de que, em 2011, Blatter prometeu que aquela seria sua última eleição.

DINHEIRO
Sem apoio na Europa, no resto do mundo a promessa feita por Blatter é de que cada cartola sairá da Copa com mais dinheiro. Nesta terça, o dirigente anunciou que, diante de um resultado financeiro recorde, ele vai distribuir "um duplo bônus" para cada uma das 209 federações nacionais, as entidades que justamente votam nas eleições para a presidência da Fifa.
"Como é que eu posso recompensá-los?", disse aos países da Oceania, arrancando gargalhadas e levando os dirigentes a aplaudi-lo de pé. A atitude de Blatter de distribuir dinheiro foi duramente criticada pelos europeus. "Não é assim que se administra uma organização", declarou a dirigente norueguesa Karen Espelund.
A Fifa vai ter uma renda recorde com a Copa, superando a marca de US$ 4,5 bilhões. "Nossas finanças estão seguras e poderemos pagar dois bônus", disse Blatter.

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