Ed Carlos Rocha
De Curitiba
A diretoria do Paraná Clube não quis assumir a culpa sozinha do rebaixamento da equipe para a Série B do Campeonato Brasileiro. E acusou ontem, em entrevista coletiva, parte dos jogadores como co-responsáveis pelo fracasso. O presidente Dilso Rossi tentou ser mais comedido dizendo que ‘‘faltou amor à camisa’’. Já o diretor Aramis Tissot não economizou palavras. ‘‘O que faltou foi vergonha na cara para alguns atletas, que fugiram da responsabilidade na hora em que o clube mais precisou.’’
A diretoria preferiu não citar nomes, mas deu a dica com o anúncio de dispensa de todos os jogadores que não tinham o passe preso ao clube, como Régis, Nélio, Edinho Baiano, Valdeir, Jorginho e Carlos Alberto Dias. Outros atletas também deverão ser dispensados. Os jogadores não quiseram comentar as críticas.
Segundo o presidente Dilso Rossi, a diretoria até pensou em liberar ainda durante a competição os jogadores que não estariam sendo esforçados o suficiente para ajudar o time. ‘‘No entanto, achamos que isso poderia conturbar ainda mais o ambiente’’, disse.
O presidente, que ratificou a sua saída em 31 de dezembro próximo, eximiu o Paraná de culpa até na não valorização dos ‘pratas-da-casa’ há mais tempo. Segundo ele, depois que o Paraná perdeu a decisão da Copa Sul para o Grêmio e o Paranaense para o Coritiba, foi constatado pelo então técnico Márcio Araújo, hoje no Coritiba, que faltava mais experiência. ‘‘Todos os jogadores experientes que contratamos foram indicados pela comissão técnica’’, afirmou Rossi.
O presidente também falou que a situação financeira do Paraná está melhor do que quando assumiu o clube, há dois anos. Naquela época, a dívida vencida estava na casa dos US$ 6 milhões e foi acrescida com mais US$ 2 milhões de compromissos que foram vencendo. ‘‘E o pior é que não tínhamos ativo, ou seja, jogadores para vender e fazer caixa. Vou deixar a dívida perto de US$ 4 milhões e com vários jogadores que estão se destacando e que poderão render bom dinheiro para o clube’’, afirmou Rossi, dizendo que Milton do Ó e Reginaldo Vital devem ser os primeiros a serem negociados.

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