A Fórmula 1 se prepara para entrar no terceiro milênio. Os carros do futuro, ao menos nos próximos anos, não terão três rodas, asas semelhantes às de aviões, nem mesmo serão pilotados por robôs, mas serão muito mais produtos de simuladores do que hoje. Os projetos e parte dos testes de pista passarão a ser realizados nos computadores das equipes. Entra em cena na Fórmula 1 o conceito da realidade virtual, tão em moda.
‘‘Se você percorrer os boxes de hoje e os de dez anos atrás verá que não há tanta diferença nos aspecto geral dos carros’’, diz Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, presente em Suzuka no fim de semana. Na sua visão, os modelos de Fórmula 1 não deverão ganhar nova configuração, ao menos num futuro próximo. ‘‘As restrições do regulamento não permitem se viajar com a imaginação’’, afirma.
Novos programas de computador, desenvolvidos a partir dessa necessidade de se simular uma corrida, terão importância bem maior de hoje também na hora de se projetar um carro de Fórmula 1. ‘‘Os resultados de desempenho serão mais previsíveis’’, fala Juan Villadelpratt, coordenador da Benetton. ‘‘Se no computador nosso projeto sinalizar com dados de performance indesejáveis, alteramos componentes que nem foram construídos ainda.’ Tudo se passará num universo virtual. ‘‘Só quando os resultados desse carro imaginário atenderem nosso interesse ele ganhará a linha de montagem.’
Mas há muitas outras áreas da Fórmula 1 que acompanharão a chegada do século 21. Sempre obedecendo, claro, as restrições severas do regulamento. ‘‘Não fossem esses limites poderíamos estar estudando mais profundamente novos conceitos de tecnologia’’, lembra Mario Illen, diretor da Ilmor, empresa que projeta e constrói os motores Mercedes da McLaren. ‘‘A recuperação de energia, por exemplo, representa um campo imenso a ser explorado.’ Os motores transformam a energia do combustível em várias outras formas, dentre elas a de calor.
A única preocupação da engenharia hoje é dissipar essa valiosa energia, a térmica. Se a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) permitisse que se reaproveitasse energias no carro, o nível de investimentos na área de pesquisa cresceriam e em pouco tempo surgiriam soluções que poderiam revolucionar até a indústria automobilística, além de tornar os carros de Fórmula 1 mais velozes. A opinião é de Illen.
Existem já indicações seguras dos vários rumos que o Mundial seguirá em breve. O engenheiro Rogério Gonçalves, da Petrobras, fornecedora de combustível da Williams, recorda que já para 1999 a gasolina da Fórmula 1 atenderá os níveis de emissão exigidos na Europa apenas para 2005. ‘‘O combustível da Fórmula 1 será cada vez mais ecológico, ainda que o volume de emissão nessas competições seja menor que o registrado no estacionamento do autódromo.’

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