Real e Barça abusam das marcas para encher cofres
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sábado, 10 de setembro de 2011
Thiago Mossini <br> Enviado à Espanha 
Madri e Barcelona - A Espanha, a exemplo de boa parte da Europa, vive dias de crise econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 0,1% no último ano. O índice de desemprego cresce e a população está preocupada com os rumos da economia e o que o futuro lhes reserva. Porém, de dois gigantes do futebol mundial e donos dos dois maiores faturamentos do mundo da bola, a crise passa longe. Na contramão da recessão, Real Madrid e Barcelona levam a rivalidade gigantesca de dentro de campo para o mundo econômico e disputam a liderança do ranking de faturamento no futebol.
O segredo da dupla para não sofrer com a crise foi descolar suas receitas do cenário nacional e conseguir ganhar dinheiro em todos os cantos do mundo. Há até um estudo do time catalão para mudar os horários de alguns de seus jogos na Liga Espanhola para o meio-dia, para atender ao mercado asiático.
O levantamento da 14 edição da Deloitte Football Money League, divulgado em fevereiro deste ano, apontou que os dois clubes espanhóis são os que mais faturam no mundo, somando juntos uma receita de quase 840 milhões de euros (R$ 2 bilhões) em 2010, um aumento de 10% em relação a 2009. São 438,6 milhões dos madrilenhos, líderes pelo terceiro ano consecutivo, e 398,1 milhões dos catalães, que tomaram a segunda posição do Manchester United, da Inglaterra.
Para chegar a esses valores, a dupla soube posicionar e valorizar suas respectivas marcas. São recursos gerados com vendas de camisas e objetivos com a marca do clube, marketing, sócios, exploração do estádio, direitos de transmissão e jogos amistosos.
Mina de ouro
As duas equipes sabem como poucas explorar seus respectivos estádios e suas histórias de conquistas. Aproximadamente 28% do faturamento do Real são relacionados ao Estádio Santiago Bernabéu. No Barça, a exploração do Camp Nou é responsável por 30,5% da receita do clube. A FOLHA foi ver de perto essas duas máquinas de fazer dinheiro dos clubes.
Ambas possuem um tour de visita, que recebem turistas de todos os cantos, o que já vem sendo feito por outros clubes mundo afora, inclusive no Brasil. No Santiago Bernabéu, o visitante paga 16 euros (R$ 38) pelo passaporte para o entrar no mundo madrilenho.
A primeira visita é à arquibancada superior do Bernabéu. Lá do alto, é possível ver toda a grandeza do local. Depois, o visitante começa uma viagem pela história do Real, em seu museu instalado sob as arquibancadas. É possível apreciar todas as conquistas do clube, não só no futebol, mas em outras modalidades também, assim como chuteiras usadas por ídolos, bolas utilizadas em jogos importantes, uniformes antigos, muitas homenagens a quem marcou época com a camisa do Real e as nove taças da Liga dos Campeões da Europa, que o maior vencedor do torneio conquistou.
Em todo o percurso, os turistas são incentivados a consumir. Há máquinas de souvenirs, onde é possível comprar um chaveiro ou um ímã de geladoria depositando moedas. Em outro ponto, o visitante pode tirar uma foto descontraída com o ídolo. Em uma montagem, o jogador escolhido aparece ao seu lado, sorridente. A foto impressa custa entre 12 e 17 euros.
Após a passagem pelo museu chega-se, enfim, ao gramado. É possível até encarnar o técnico Mourinho por alguns instantes, sentando no banco de reservas em que ele orienta seus comandados ou na cadeira em que concede a tradicional entrevista coletiva pós-jogo. O passeio termina na gigantesca loja oficial do clube, que têm todo o tipo de produto com a marca do Real Madrid. Difícil ir embora sem comprar nada.
No Barcelona não é muito diferente. O visitante paga 22 euros (R$ 53) para conhecer o local onde o melhor time do mundo dá seus espetáculos. A fila é interminável. Gente do mundo inteiro consumindo e reforçando os caixas do campeão europeu.
Ao contrário do Bernabéu, a visita já se inicia no museu, bem mais acanhado do que o do time madrilenho. Após ver todos os prêmios conquistados pelo barça, o turista vai a todos os cantos do Camp Nou.
Passa pela arquibancada superior, pela sala de entrevistas coletivas, cabines de imprensa e vestiários, até chegar ao túnel que leva os jogadores ao gramado. Lá, há até uma pequena capela. Ao subir as escadas, o visitante já se depara com o gigante estádio de dentro do campo.
O final do passeio, como não poderia deixar de ser, é na loja oficial do Barcelona, cheia de consumidores dispostos a pagar quase 100 euros (R$ 240), por uma camisa do melhor do mundo.
Considerados os dois clubes que mais bem pagam suas estrelas, a dupla Real-Barcelona, porém, não está ilesa às dívidas. Elas estão equacionadas, mas assustam. O time catalão deve quase 500 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão), enquanto o rival extrapola a casa dos 600 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão).


