Suwon – Tarefa prosaica para um jogador de futebol, passar os 90 minutos de uma partida em campo foi uma redenção para Ronaldo. Tanto que, ao final da goleada sobre a Costa Rica em Suwon, apesar do evidente cansaço, o atacante proclamou: ‘‘Tem pouco ainda para melhorar’’.
Não era o que parecia durante a maior parte do segundo tempo, quando, diferentemente do primeiro, o craque da Inter de Milão deixou claro que tem um bom caminho a percorrer para chegar ao ideal de sua forma física. Mas ele insistiu. ‘‘Vim abaixo das condições físicas dos outros jogadores, mas consegui melhorar e chegar ao nível deles.’’
Ronaldo teve a sua melhor atuação pelo Brasil nesta Copa. Ele não completava um jogo inteiro pela seleção desde 7 de setembro de 1999 – amistoso contra a Argentina em que o Brasil também fez muitos gols, quatro (um dele).
As contusões que se seguiram desde então – primeiro no joelho, depois no músculo da coxa – minaram a afirmação do goleador, que parece ter voltado com força em Suwon. A sede de gols foi o reflexo mais evidente deste ‘‘novo Ronaldo’’.
Polêmica – Em campo, fez um, participou de outro, registrado pelo juiz como gol contra do costarriquenho Marin, deu boas assistências e também foi fominha, chegando a irritar Gilberto Silva no segundo tempo – quando o volante, com o gol escancarado à sua frente, pediu a bola e teve de ver Ronaldo fazer firula e mandar na trave.
Fora do gramado, a atitude não foi diferente. Na primeira declaração no vestiário, já reclamou que o primeiro gol brasileiro foi dele, e não contra. ‘‘Tenho certeza de que isso vai mudar. O gol foi meu. A regra beneficia o atacante que participou da jogada, e eu tenho consciência de que toquei na direção do gol. Não importa se resvalou na zaga. Não pode ser dado gol contra, tem de ir para mim.’’
A Fifa deverá decidir hoje para quem será computado o gol.
Tapetão – Ronaldo já fala em contar com a ajuda da CBF, que faria um recurso e o enviaria à Fifa. A confederação, que tem influência na cúpula da entidade que controla o futebol, está disposta a levar o caso às últimas consequências. Não é à toa: ontem, Ronaldo chegou a 40 gols com a camisa amarela e passou a ser o quarto maior artilheiro da história do time nacional, superando Bebeto.
E se aproximou de um de seus sonhos, quebrar recordes de Pelé. Caso o gol reclamado volte para ele, seu saldo aumenta para oito gols em dez jogos de Copas, a mesma marca de Pelé ao atingir sua décima partida em Mundiais – o saldo total do maior jogador brasileiro da história é de 12 gols.
Por fim, Ronaldo, que marcou nos três jogos da Copa e é o artilheiro do Brasil ao lado de Rivaldo, voltou ontem a ser o principal finalizador do time, com seis conclusões.

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