Raul, um dos líderes do timaço
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Goleiro já consagrado no Cruzeiro, sempre com a tradicional camisa amarela, Raul Plassmann era um dos mais experientes atletas do Flamengo que encantou o Brasil e o mundo no início dos anos 80. Titular em todas as grandes conquistas da equipe (Brasileiros de 1980, 82 e 83, Libertadores de 1981 e Mundial Interclubes do mesmo ano), o arqueiro foi apelidado de "Velho" pelos colegas do clube. Brincadeira que mostrava o respeito e a admiração dos demais atletas.
Pouco afeito a lances mirabolantes, Raul se caracterizou pela tranqüilidade e bom posicionamento, que facilitavam muito o seu trabalho. Que era ainda mais simples naquela equipe vitoriosa, que tinha na força ofensiva o maior diferencial. "Todos os anos alguém lembra daquele time. Depois dele, vieram outras equipes muito boas, como o Palmeiras do Luxemburgo (dos anos 90), mas nosso time continua no topo da lista. E quando me vejo como goleiro desses time, então é que a ficha cai", afirma o atual comentarista da RPC e do SporTV, que reside em Curitiba e recentemente foi secretário de Esporte do município.
Para o ex-goleiro, um dos motivos que levou o Flamengo a marcar época foi o entrosamento. "Naquela época era mais fácil montar um bom grupo porque os jogadores ficavam mais tempo nos clubes e criavam uma identificação com a torcida. O esquema tático era basicamente eu no gol e o resto do time jogando para a frente. Todo mundo sabia quem eram os titulares e os reservas que entrariam caso alguém não pudesse jogar. A gente treinava menos, mas todo mundo sabia onde cada jogador estaria em cada lance. Então, o time fez a diferença", resume.
Dos tempos de Flamengo, Raul guarda poucas lembranças materiais. "Minha casa nem parece ser de um ex-jogador, porque tudo o que ganhei eu dei de presente para torcedores e amigos. O maior troféu que tenho é o reconhecimento, que é algo abstrato, mas não quebra, risca ou estraga", brinca, sem esconder a satisfação por ser lembrado como peça importante de um grande time.
Outro prêmio para Raul são as amizades estabelecidas dentro daquele elenco, que perduram até hoje. "A gente se encontra muito pouco, mas eu sempre troco e-mails com o Zico, às vezes encontro o Júnior, mas estamos sempre querendo saber um do outro, porque todo mundo daquele grupo se gosta muito", afirma.
Natural de Antonina, no litoral paranaense, Raul é um dos três únicos titulares daquela equipe que não foi formado no próprio Flamengo, e cultiva as raízes. "Sempre que posso vou a Antonina, fico lá na Ponta da Pita, mas o pessoal acha que eu não apareço muito por lá, talvez porque não me encontrem. Também costumo ir muito a Paranaguá, que é a cidade da minha mãe", completa, com a mesma tranqüilidade dos tempos de atleta.


