Rasteira africana
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de agosto de 2016
Almir Leite<br>Agência Estado 

Brasília - Foi apenas a estreia. Foi também uma ducha de água fria no entusiasmo da seleção brasileira olímpica o empate, ontem, por 0 a 0 com a África do Sul, no Mané Garrincha, em Brasília. A equipe não fez um bom jogo. Mesmo com um a mais, teve muita dificuldade contra uma equipe segura e bem armada. Deu mostra de que precisa melhorar muito para brigar pela sonhada medalha de ouro nos Jogos do Rio-2016. Saiu vaiada de campo, pois ficou devendo.
Neymar, capitão e craque do time, teve atuação discreta. Tentou jogadas individuais, concluiu com perigo a gol, mas ficou longe do que dele se espera. Também precisa evoluir, quem sabe já na segunda partida, neste domingo contra o Iraque, também em Brasília.
A seleção brasileira já terminou o primeiro tempo vaiada por parte dos torcedores. Uma parte pequena e a vaia acabou sendo tímida e curta, ofuscada por aplausos. Mas a frustração, medida pelo pouco entusiasmo do torcedor durante quase toda a primeira etapa se justificava.
Criou-se grande expectativa sobre o desempenho da seleção, pelo talento da garotada liderada por Neymar, pela proposta ofensiva do técnico Rogério Micale e pelo otimismo fruto dos bons resultados dos intensos treinamentos.
O segundo tempo começou ainda pior para a seleção brasileira. Os sul-africanos, confiantes, se soltaram um pouco. A seleção acusou essa maior dificuldade. Perdia bolas seguidas, errava muitos passes e mostrava descontrole, como no lance em que Gabriel Barbosa e Zeca se atrapalharam, e mais uma bola foi perdida. O time não produzia em campo, a torcida se irritava nas arquibancadas. Aas 14 minutos, Mvala, que instantes antes havia recebido cartão amarelo, fez falta duríssima em Zeca e foi expulso.
Imediatamente, Rogério Micale apelou para o seu plano B, a única alternativa que treinara durante a preparação: colocou o time no 4-2-4 ao trocar Felipe Anderson por Luan. Minutos depois, para tentar dar mais fôlego e poder de marcação, tirou Renato Augusto (jogou mal e saiu bastante vaiado) e pôs Rafinha em campo.
O time se lançou. E se animou. Teve chances com Gabriel Barbosa e Neymar, mas a melhor delas foi em um cruzamento de Luan em que a bola passou por Gabriel Barbosa e Gabriel Jesus, sem goleiro, acertou a trave.
No entanto, os lances serviram para animar a torcida, que passou a incentivar. Enfim, a seleção havia acordado. O gol, porém, não saía.
À beira do campo, Rogério Micale se desesperava, gritava, incentivava, mas também reclamava - chegou a ser advertido pelo árbitro. E, algo normal nesses ocasiões, a pressa e a ansiedade bateram. Com o jogo se aproximando do final, as jogadas já não eram mais trabalhadas. A seleção, é verdade, tentou até o fim. Restou, porém, a decepção do empate na estreia e o consolo de que foi apenas a estreia.
BRASIL 0 x 0 ÁFRICA DO SUL
BRASIL - Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos (William); Thiago Maia, Renato Augusto (Rafinha Alcântara) e Felipe Anderson (Luan); Gabriel Barbosa, Gabriel Jesus e Neymar. Técnico: Rogério Micale.
ÁFRICA DO SUL - Khune; Mobara, Mathoho, Coetzee e Mekoa; Mvala, Motupa, Modiba (Ntshangase) e Dolly; Masuku (Morris) e Mothiba. Técnico: Owen da Gama.
CARTÕES AMARELOS - Thiago Maia e Marquinhos (Brasil) e Mathoho (África do Sul).
CARTÃO VERMELHO - Mvala (África do Sul).
ÁRBITRO - Antonio Mateu Lahoz (Fifa/Espanha).
RENDA E PÚBLICO - Não disponíveis.
LOCAL - Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF).


