Raphinha é sincero sobre posição na seleção: "Não faço ideia"
Titular do Brasil vai ter uma nova chance na Copa do Mundo após não brilhar em 2022
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quinta-feira, 11 de junho de 2026
Titular do Brasil vai ter uma nova chance na Copa do Mundo após não brilhar em 2022

O atacante Raphinha foi sincero ao comentar sobre a posição que ocupará na seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Considerado uma das peças-chave da equipe de Carlo Ancelotti, o jogador do Barcelona tem presença praticamente garantida no ataque ao lado de Vinícius Júnior, mas admite que ainda não sabe exatamente qual será sua função dentro do esquema do treinador italiano.
"É uma decisão do Mister. Eu não faço nem ideia de como vou jogar. Sou uma pessoa que tenta se adaptar a qualquer posição onde consiga exercer o meu futebol. Se eu tiver que jogar pelo lado esquerdo, vou tentar me adaptar da melhor forma possível. Do lado direito, igual. Acho que pela direita tenho mais facilidade por estar jogando ali há muito tempo. Nas últimas temporadas também precisei me adaptar ao lado esquerdo no clube. E, se tiver que jogar pelo meio, vou fazer o melhor possível para entregar um bom futebol", afirmou o camisa 11.
"Aquilo que o professor pedir, eu vou estar pronto para fazer", completou.
Aos 29 anos, Raphinha chega ao Mundial de 2026 em uma condição diferente daquela que viveu na Copa do Catar, em 2022. Consolidado no Barcelona e com papel de protagonismo na seleção, o atacante afirma se sentir mais preparado para lidar com a responsabilidade de disputar o principal torneio do futebol mundial.
"Senti mais pressão naquela Copa de 2022 do que nesta. Me vendo hoje, percebo que cheguei muito imaturo para aquele Mundial. Eu estava chegando ao Barcelona, em um período de adaptação, e na seleção também ainda buscava me encontrar. Agora me sinto muito mais preparado pelo momento que vivo no clube e por entender melhor o meu papel dentro da seleção. A pressão sempre vai existir", avaliou.
Para o jogador, conviver com a cobrança faz parte da rotina de quem veste a camisa do Brasil.
"A partir do momento em que a gente veste a camisa da seleção brasileira, tem que saber que a pressão vem junto. É a única seleção que conquistou cinco Copas do Mundo. Se não estivermos preparados para isso, não podemos disputar um torneio desse nível", afirmou.
Natural de Porto Alegre, Raphinha construiu praticamente toda a sua carreira profissional na Europa. Revelado pelo Avaí, ele se transferiu ainda jovem para o Vitória de Guimarães, de Portugal, onde atuou entre 2015 e 2018. Depois passou pelo Sporting, ganhou destaque no Rennes, da França, e, posteriormente, no Leeds United, da Inglaterra.
O desempenho na Premier League abriu as portas para sua transferência ao Barcelona, em 2022. Desde então, já disputou mais de 170 partidas pelo clube catalão, marcou 75 gols, distribuiu mais de 50 assistências e conquistou três títulos do Campeonato Espanhol.
Cobrança na seleção
Ao lado de Vinícius Júnior, do Real Madrid, Raphinha é apontado como um dos principais jogadores brasileiros em atividade no futebol europeu. Apesar disso, ainda convive com questionamentos sobre a capacidade de repetir na seleção o mesmo desempenho apresentado pelos clubes.
O atacante discorda dessa avaliação e acredita que já teve boas atuações com a camisa da seleção brasileira.
"Eu acho que já consegui entregar muita coisa pela seleção. Obviamente não dá para dizer que foi exatamente igual ao que aconteceu no clube, mas, dentro do possível e daquilo que a gente viveu principalmente no último ciclo de Copa, acredito que apresentei um bom futebol. A gente sabe que a seleção brasileira é feita de resultados. Se não vierem os resultados, seremos cobrados. E, se existe essa cobrança pelo que fazemos nos clubes, é porque todos sabem que temos capacidade de fazer o mesmo pela seleção", afirmou.
Raphinha também reconhece que o time ainda pode evoluir. "Eu, mais do que ninguém, se tiver que falar que precisamos melhorar, vou falar. Não tenho problema com isso. Acho que podemos melhorar. Não só eu, mas vários jogadores têm essa consciência e sabem que podem render ainda mais."
As cobranças sobre o desempenho na seleção também se refletem na relação com os torcedores brasileiros. Como deixou o país ainda muito jovem, o atacante não criou ligação tão forte com o público quanto outros jogadores. "Para ser sincero, sinto que o carinho do torcedor brasileiro comigo é diferente daquele que recebo das pessoas que me acompanham diariamente lá fora. Mas acredito que, se tenho que provar alguma coisa, é para mim, para meus pais, para minha esposa e para o meu filho. Infelizmente não posso mudar o gosto das pessoas. Tem quem goste do meu futebol e tem quem não goste, e está tudo bem. Eu sempre busco dar o meu melhor. Vai ter dias em que não vou conseguir jogar bem, mas a vontade eu sempre vou entregar. Isso, para mim, é algo inegociável."
O atacante também considera natural que parte da torcida ainda mantenha certa distância em relação à sua trajetória. "É normal. Como saí muito jovem do Brasil, não criei uma conexão com nenhum clube daqui. Então é natural que algumas pessoas ainda tenham essa desconfiança. E está tudo bem", concluiu.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


