Agência Estado
De Kayes, Mali
Por pouco não acabou de forma prematura a primeira experiência off road do velejador Amyr Klink. Na ‘especial’ da segunda etapa do rali Dacar-Cairo, entre Tambacounda (Senegal) e Kayes (Mali), seu carro Troller quase perdeu a roda traseira direita, em movimento, porque os mecânicos simplesmente não apertaram direito os parafusos. Se nenhuma peça ficar pelo caminho, Amir e o piloto Cacá Clauset devem chegar hoje a Bamako, capital do Mali, após percorrer os 711 quilômetros da terceira etapa.
Cacá Clauset estava muito irritado com o erro banal da equipe de mecânicos (brasileiros e estrangeiros) que o fez chegar na 120ª posição e quase receber uma penalização que costuma ser de três horas. Ele e Amyr tiveram de esperar cerca de duas horas para que o caminhão de apoio chegasse e soldasse a roda. E por apenas 20 minutos, a dupla não estourou o tempo limite para concluir a ‘especial’, de 6h30min: ‘‘Como pode um projeto de US$ 1,5 milhão em que o cara esquece de apertar as quatro rodas?’’
Não foi só a dupla Cacá Clauset e Amyr Klink que teve problemas pela equipe Troller na etapa de ontem. O carro de Marcos Ermírio de Moraes e Roberto Macedo também estava com as rodas meio soltas, mas os parafusos foram apertados antes que a situação ficasse trágica. Eles chegaram na 60ª posição. Arnoldo Silveira e Gabriel Galdino fizeram o 62º melhor tempo, enquanto Reinaldo Varella e Alberto Fadigatti terminaram em 41º no geral, o melhor tempo entre os estreantes.
Varella e Fadigatti, que largaram com 2min10s de atraso preocupados com barulhos no carro, ficaram a apenas dois minutos de Klever Kolberg, brasileiro que fez o melhor tempo com seu Mitsubishi, ao lado do navegador francês Pascal Larroque: 37º lugar e décimo na categoria Maratona.
Nas motos, Juca Bala, de KTM, fez o 20º tempo (quarto na Maratona), apesar do GPS e de um dos hodômetros terem quebrado. E nos caminhões, André Azevedo, com os checos Tomas Tomecek e Petr Vodak, não passou da quinta colocação, mas ainda está em segundo no geral, beneficiado pela primeira posição na etapa anterior: ‘‘Os outros caminhões são mais leves e mais rápidos. Não dá para disputar a ponta todo dia.’’ Em primeiro, está um dos caminhões russos da Kamaz.
Seis vezes campeão do Dacar na categoria motos, o francês Stephane Peterhansel obteve ontem a primeira vitória de sua vida sobre quatro rodas nessa prova, percorrendo em 2h03min33s os 212 quilômetros da ‘especial’. No ano passado, então um estreante na categoria carros, Peterhansel não teve um grande desempenho com um Nissan. Mas dessa vez veio à África com um protótipo, o francês Mega, e é um dos favoritos. No geral, está em quarto. O líder é o japonês Kenjiro Shinozuka.
Nas motos, o vencedor da segunda etapa foi o espanhol Jordi Arcarons, de KTM, em 2h04min16. Mas no geral, quem está na frente é seu compatriota Joan Roma. Arcarons é o terceiro.

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