Montreal, Canadá - O homem mais gelado da F-1 sorriu ontem. Um sorriso escancarado, de orgulho, de satisfação, de conquista. E justificado. Duas semanas após a maior decepção da carreira, Kimi Raikkonen viveu em Montréal um dia perfeito.
O finlandês da McLaren venceu o GP do Canadá, oitava etapa do Mundial de F-1. Mas, talvez mais importante do que o triunfo, viu Fernando Alonso, seu rival pelo título, abandonar uma corrida pela primeira vez na temporada. Com o resultado, Raikkonen chegou a 37 pontos no Mundial, reduzindo de 32 para 22 sua desvantagem para o espanhol. E sabendo que há 11 GPs pela frente.
''Tive um pouco de sorte para vencer, mas isso não importa porque na última corrida essa mesma sorte me deixou na mão. O que interessa é que estivemos fortes todo o final de semana e podemos manter esse ritmo. O Mundial é longo e a cada prova sinto-me mais perto da luta pelo título.'' Em Nurburgring, no dia 29 de maio, o finlandês dominou a prova, mas sofreu uma quebra de suspensão na última volta, bateu, e cedeu a vitória para Alonso.
Neste domingo, aconteceu o oposto. O GP começou sob domínio dos pilotos da Renault, primeiro de Giancarlo Fisichella, depois do espanhol. O italiano, porém, abandonou na 33volta, com um problema hidráulico. Cinco voltas depois, também na liderança, seu companheiro acertou o muro e foi forçado a deixar a prova. A vitória, então, caiu nas mãos de Juan Pablo Montoya, companheiro de Raikkonen. Mas o temperamento esquentado do colombiano colocou tudo a perder.
Na 47 das 70 voltas, Jenson Button, que saiu na pole mas despencou antes da primeira curva, arrebentou seu BAR no mesmo muro de Alonso. A direção de prova mandou o safety car para a pista. E então Montoya cometeu dois erros fatais, banais e infantis.
Primeiro, não reduziu o ritmo na pista e quando a McLaren o chamou para reabastecer, já havia passado da entrada dos boxes. Raikkonen se aproveitou, fez o pit e ganhou o posto do parceiro, que só entrou na volta seguinte.
O segundo erro beirou o amadorismo: apressado para voltar à pista, Montoya não respeitou a luz vermelha na saída do pit lane -sinal para esperar a passagem do safety car- e foi eliminado da corrida. ''Ninguém é perfeito'', tentou explicar o colombiano.
Raikkonen só foi ameaçado nos minutos finais, por Michael Schumacher, que passou as últimas sete voltas a menos de dois segundos de seu McLaren. Em nenhum momento, porém, o heptacampeão teve chance de tentar a ultrapassagem. E ficou satisfeito em ser segundo.

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