Istambul - Kimi Raikkonen teve um dia quase perfeito ontem, em Istambul. Largando da pole position, foi superado na largada, mas fez uma ultrapassagem sensacional 11 curvas depois e retomou a ponta. Liderou todas as voltas e conseguiu aquilo que fixara como meta para se manter na disputa do título: vencer na Turquia.
O finlandês só não contava com um traidor de sua causa. Porque o ''quase'' ficou por conta do parceiro de equipe. Juan Pablo Montoya cometeu mais um erro grotesco e perdeu a segunda colocação do GP a duas voltas do fim.
Para desespero de Raikkonen, o herdeiro da posição foi Fernando Alonso, seu arqui-rival. Com o resultado, o finlandês diminuiu em apenas dois pontos, e não em quatro, a folga do espanhol na liderança do Mundial. Faltando agora cinco etapas para o fim da temporada, o piloto da Renault tem 24 pontos a mais na tabela.
''Não podemos desperdiçar dois pontos assim. Eu piloto meu carro, procuro fazer o melhor possível, só que não tenho como controlar o que os outros fazem nos carros deles'', disse Raikkonen. ''Estou triste. Uma dobradinha teria sido ótima para nós na disputa dos dois campeonatos.''
A sua parte, o finlandês fez. Saindo da pole, foi superado por Giancarlo Fisichella na largada, mas não arrefeceu. Grudou no italiano e na penúltima curva da primeira volta, quando era atacado por Alonso, encontrou uma brecha entre os dois carros da Renault e recuperou sua liderança.
Já Montoya apoiou-se na estratégia. Quarto no grid, ficou mais na pista antes do primeiro pit e, quando saiu dos boxes, já era o segundo, bem à frente do espanhol.
Assim ficaria o pódio não fosse a barbeiragem do colombiano. Na 55 das 58 voltas, ele foi tentar ultrapassar Tiago Monteiro, retardatário, mas cortou a frente do português de maneira abrupta e freou para a tomada da curva. O novato acertou o difusor do McLaren que, sem estabilidade, escapou na volta seguinte. Alonso fez a ultrapassagem e agradeceu. ''Foi uma surpresa agradável'', disse o espanhol na entrevista coletiva, ao lado de Raikkonen. Que fez de tudo na Turquia. Mas que, no fim, só não conseguiu sorrir.
Montoya O segundo lugar jogado no lixo pelo colombiano pode fazer falta para seu companheiro, Kimi Raikkonen. Na F-1, 11 Mundiais terminaram com diferenças menores ou iguais a dois pontos. O último, há dois anos: Michael Schumacher bateu o mesmo finlandês por 93 a 91. ''Obviamente estou desapontado com o que aconteceu. O Monteiro não conseguiu frear e destruiu meu difusor. O segundo lugar estava na mão'', disse.
Brasileiros Rubens Barrichello terminou a prova na décima colocação. Seu companheiro de Ferrari, Michael Schumacher, abandonou a corrida com problemas no carro, assim como se futuro companheiro de equipe, Felipe Massa, da Sauber.

mockup