Raí volta contra Palmeiras e sonha com Inglaterra
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Rogério Nottoli 
São Paulo, 12 (AE) - O meia Raí deseja encerrar sua carreira no futebol inglês. O craque garante que cumprirá seu contrato com o São Paulo - vence em maio de 2000 - e jogará mais um ano antes de abandonar o futebol. "Sempre admirei o futebol britânico e ainda penso em jogar lá", disse o sãopaulino, de 33 anos, que se recupera de uma contusão no joelho. Raí deve voltar ao gramados no clássico contra o Palmeiras, dia 18 de abril, pelo Campeonato Paulista. "Esta é minha previsão otimista". O atleta, campeão da Copa-94, voltou a treinar com bola nesta quarta-feira, após seis meses de trabalho de recuperação.
"Não senti dores", comemorou. "Devo voltar a defender o São Paulo na primeira quinzena de abril". Raí pretende jogar inicialmente apenas alguns minutos contra equipes do interior. "Quem sabe até fazer um gol de pênalti", disse, em tom de brincadeira, o craque. "Mas pretendo estar bem preparado para o clássico do dia 18".
Embora não admita, Raí demonstra um pouco de medo em sentir novas dores. Em janeiro, ele chegou a treinar com seus companheiros, mas, na época, sentiu o local da contusão - que sofreu após entrada do zagueiro Wilson Gottardo, em partida contra o Cruzeiro, em agosto, pelo Brasileiro.
Raí não condena Gottardo, que apesar de estar desempregado, está apto para jogar o futebol. "Foi uma entrada dura mas não acredito que tenha sido proposital", afirmou o camisa 10 do São Paulo. Ele não se mostra favorável a reivindicação da maioria dos jogadores de afastar o atletar violento pelo mesmo período que o companheiro permanecer contundido. "Acho difícil julgar a intenção de um atleta", avaliou. Segundo ele, melhor forma de coibir a violência é a evolução das regras. "Estabelecer, por exemplo, um limite de faltas como no basquete". Raí condena a idéia do presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), José Eduardo Farah, de acabar com a suspensão automática e, simplesmente, multar os jogadores que recebam cartões. "É um incentivo a violência no futebol", disse.
Gol de Letra - Desfiles de moda, aulas de piano e brincadeiras com a neta Naíra - que nasceu dia 15 de janeiro. O craque diversificou bastante suas atividades durante os meses de recuperação. Ele garante, no entanto, que não foram nas sessões de terapia que encontrou forças para continuar lutando para voltar ao futebol. "Eu me supero sempre que tenho novos desafios", garantiu. "Foi assim lá na França. No começo, joguei mal mas depois me superei e conquistei os torcedores". Mas a grande preocupação de Raí é a crise econômica pela qual atravessa o Brasil.
"Quando retornei ao País me assustei", contou. "O desemprego, a violência e, principalmente, a falta de perspectiva dos jovens". Raí garante que tentará fazer sua parte para ajudar. Ele e o amigo Leonardo, do Milan, estão trabalhando na Fundação Gol de Letra. Segundo o meia, a instituição tem como objetivo investir na educação e na saúde de jovens e crianças. "Vamos atender 210 jovens", afirmou. "Teremos uma creche e um projeto de complemento escolar, reforçando os alunos com aulas culturais e esportivas". A fundação deve ser inaugurada em junho e terá duas sedes: uma no Tremembé, em São Paulo, e outra em Niterói, no Rio. "Todo ser humano merece pelo menos uma oportunidade na vida", lembrou Raí.


